O correr e suas nuances" ( ou "A corrida e suas nuances" ) é uma obra criada e escrita por Pompeo M. Bonini: Projetada e idealizada para interagir ideologicamente e conceitualmente com todos os outros livros que escrevi. Nesta interação descobrimos os aspectos holísticos que são as novas nuances da vida... Basta clicar à esquerda nos capítulos ( hiperlinks ) descritos que você segue a tragetória que segui em épocas de treinos árduos ora com metas de competir, ora com metas de deleitar-me com o ato de correr e sentir a natureza. Em trilhas sinuosas pelas matas de lugares longíncuos ou perpassando o asfalto da cidade, seja fartlek ou longão correr é correr e quando passa a fazer parte de nosso estilo de vida provoca alterações em nosso modo de pensar e sentir a vida por alterar ou amplificar determinadas sensações e pensamentos que provêm de quê? Essa é a meta desta obra: buscar o cerne da verdade! Não deixe de fazer seus comentários ao final de cada capítulo, isto contrinuirá para nossas efusivas, enfáticas e complexas reflexões!

4.3.09

Cap 37. - O CALABOUÇO DA CONSCIÊNCIA.

Cap 37. - O CALABOUÇO DA CONSCIÊNCIA.
Está a realidade construída sobre bases tão sólidas que não possam ser desfragmentadas ou derretidas?

Aqui então estamos nós! Estudiosos da corrida submetendo-a sob o abrangente e infinito prisma da vida, libertando de uma jaula o cérebro, que muitas vezes reluta por livre e espontânea vontade em entrar na jaula da ignorância, como um petulante ser, imbuído de ideais repetitivo, monótono e cansativo de tão patético. Relutamos aqui por certo a abrir esta prisão no intuito de conhecer o mundo da liberdade, a vida, a verdadeira vida que se constitui da capacidade real de buscar a verdade por caminhos irregulares e não tão mesquinhos e desfavoráveis quanto pode ser uma vida monótona e linear. A amplitude de nossas divagações é de tal maneira maleável que não somos aqui submetidos à quaisquer restrições de caráter metodológico, e nossa chave é certamente composta dum material mas reluzente, perfeito e forte que o ferro, bronze ou aço. Quiçá seja este material mais bem estruturado que as inescrutáveis essências do titânio! É este forjado nos moldes de nossa mente e comumente chamado de criatividade. A atividade da criação, não se aceita aqui qualquer comodismo de caráter estagnado e supérfluo. Sim meus amigos! Caminhemos através das sendas mais desconhecidas que se nos possam surgir pela frente, e se possível caminhar e correr por elas, sejam matas cerradas ou desertos áridos, mas ao menos nos arrisquemos a tropeçar numa raiz ou morrer de sede, mas que saiamos com glórias e pomposas aclamações daquela pequena jaulinha que é a pérfida e escabrosa ignorância.
É certo que são poucos os que encontram a chave, os que a forjam com as próprias mãos, as mão da consciência, da moral e da busca que é nada mais que o nascimento da liberdade, e a liberdade meus amigos nada representa além da vida, porém não seria aprazível que vos enganasteis com palavras abstratas e comparações artísticas, ou mesmo com estas explanações de analogias literárias. Por isso é acima de tudo irrevogável ver que a vida por certo é a liberdade da filosofia e não necessariamente do corpo, embalsamada e novos conceitos, visões, idéias, e por que descartar aquilo que designam por estado de loucura, já que esta não passa da genialidade... Loucura... Loucura... Por certo é chamado de louco aquele que se distingue de um todo comum, pois que sejamos nós os viajantes dos loucos mundos, diferenciando-nos de todos os simplórios seres destituídos de liberdade. Muito alegres estamos amigos leitores, pois nós somos os detentores das chaves, sim! Muitas chaves! Cada qual abre uma das jaulas de nossa consciência: a chave da criatividade, da inteligência, da razão, da emoção, da divagação, da busca e a do próprio risco que há nisso tudo: tropeçar numa grande raiz, mas logo se levanta e toma outro rumo nesta grande e interminável maratona. Vejam vocês que fato erroneamente caracterizado como burlesco: o molho destas chaves é chamado de loucura. É, pois, digno de bom senso correr como louco se é isto o que caracteriza a liberdade e, por conseguinte a vida. Corramos meus amigos e leitores, corramos aos ideais da loucura, sorrindo, saltando, cantando e sentindo os detalhes da busca, já que corremos atrás da própria consciência do que é a vida e de quem ou do quê somos nós.
Lapsos de busca da realidade da vida insurgem-nos em alguns momentos, é bastante confuso pensar na idéia de que não conhecemos a realidade, e ao mesmo tempo nos revigora uma sensação infantil de curiosidade, há entretanto os que já se julgam tão amadurecidos que de tanto amadurecer já viraram pedra e não mais julgam que há algo a aprender sem suas vidas, algo de incomensurável importância que possa modificar os sólidos alicerces que sustentam suas concepções de vida. Pois é isto justamente de que trata a filosofia, para desmistificar a realidade, modificando-a, codificando-a, acrescentando detalhes à ela ou como com grande honra poderíamos aqui recalcitrar: acrescentando nuances à ela. Nuances estas que podem desequilibra-la fazendo com que a torre de nossas concepções desmorone.
Sejamos entretanto menos românticos e mais diretos. Os sonhos ( esta palavra aqui esta posta representando: vontades ), por exemplo: por muitos considerados como detalhes e outro contingente desconsiderado ( talvez por aquelas pedras supradescritas ) Quê são os sonhos senão a própria realidade? O princípio da realidade. Pode então a realidade tornar-se uma conjectura vazia e o sonho constituir a própria realidade? Quais são nossas idéias, portanto, do que seria entendido por realidade? O abstrato das idéias são reais? Um corredor maratonista pode ser acometido de brevíssimos surtos de idéias sobre o fato de ele se tornar um atleta do mais alto nível, tornando-se veloz como um raio, e capaz de ganhar qualquer competição, coisa que no momento está fora de sua realidade e que consta somente como uma louca idéia ( Lembremos deste termo, por favor ) nascida e uma imaginação excessivamente fértil, o que ele mesmo muitas vezes se sente em desagrado com suas idéias fora de controle. Assim consta que esta lapso de sonho é já um principio de realidade pois para que se concretize requisita alguns outros fatores como vontade, persistência e continuidade no treino. Com isso este corredor de maneira gradativa cambia sua realidade antiga de atleta participativo para atleta competitivo. Proponho então, mediante as últimas dissertações, a seguinte questão: É o sonho o princípio da realidade? Ou seja: A realidade propriamente dita? Está a realidade construída sobre bases tão sólidas que não possam ser desfragmentadas ou derretidas? É a realidade uma jaulinha compacta e pequenina que não haja espaço para a liberdade do livre caminhar das idéias, proposições e teorias filosóficas? Pensemos portanto, neste simples exemplo de refutação da realidade apresentado, pois de outros modos podemos contestar as masmorras nas quais estamos inseridos.
Temos portanto uma transmutação que, quando ocorre, segue uma determinada cadência, esta constitui-se de:
Sinopse:
SONHO – VONTADE – CHAVE – LIBERDADE
O caminho, já com a liberdade adquirida, é envolvido de mistério, já que perpassa o desconhecido campo da mutação de realidade. Tudo se inicia com um sonho, que se descortina numa possível vontade, a chave representa evidentemente o desenvolvimento de potenciais letárgicos e adormecidos como a criatividade, inteligência e audácia de filosofar ao mais longínquo recôndito do inexplicável. Tendo sido forjada uma chave suficientemente forte para não se quebrar faz-se um caminho sem rumos delineados chamado de liberdade, assim se chega a lugar nenhum, pois não haverá por certo um final desta floresta desconhecida e densa designada como noção de realidade. Que seja assim, pois melhor é vagar eternamente num desconhecido mundo de derrotas e glórias que julgar-se conhecedor de uma jaula, sabendo que esta sim têm um fim bastante delimitado.
Não obstante é sedo para concluir-se muitas coisas, já que: Quem vive não sabe o que é viver! Quê devemos então fazer? Sair da perigosa floresta e retornarmos à masmorra como avestruzes idiotas? Repercutindo na ignorância do processo da constante adaptação à realidade mutante? Seria por certo isto uma petulância de nosso processo de descoberta, ou seja minha e tua petulância. Mas o que é viver? Quem vive precisa saber o que é viver? Quem faz a compra de um belíssimo televisor de última geração precisa conhecer seus mais intrínsecos processos de funcionamento para utiliza-lo? Sim meus leitores: é esta a analogia mais simples que podemos fazer relacionada a este aparelho altamente tecnológico que se chama viver, viver é sim nosso aparelho da mais última geração que se possa imaginar, porque como já dito está em constante câmbio, mudança e transformação: se num dia julgamos que nos entendemos e conhecemos noutro logo vemos uma realidade completamente diferente, para não ser drástico ou cataclismático direi então que mudamos um detalhe aqui e outro ali, não deixando com isto de haver um avanço ou retrocesso desta tecnologia que se chama vida. As nossas próprias vidas. Insisto, entretanto, nesta idéia e por certo hei de encontrar uma solução!
Não precisa pois o sujeito conhecer o processo de produção das cores, a totalidade do processo de transformação da eletricidade em luzes, o funcionamento das ondas eletromagnéticas enviadas pelas emissoras de televisão, a origem da energia enviada para a tv, a transferência de energia cinética em elétrica ocorrida numa hidroelétrica fornecedora de energia à sua cidade, ao projeto arquitetônico exigido para que esta fosse construída, as chuvas que formam os rios, à evaporação da água, ou a condensação dela mas é certo que viveria pouco melhor se soubesse. Não meus amigos! Não necessita ele saber tudo isto para utilizar seu magnífico, belo, reluzente, grande, tecnológico, e por fim retumbante televisor. Mas simplesmente deve sim saber apertar quatro botões: o que liga, muda os canais, mexe no volume e o que desliga. Quatro botões tão mágicos quanto possa parecer a própria vida, e tão simples quanto possa ser a quantidade de neurônios deste nosso personagem fictício por certo, mas que representa o total da população mundial, com exceção de um ou outro é claro.Sou rude porque repudio a postura deste grotesco e tosco homem, que nada mais busca senão viver, certamente vossas excelência haverão adotado a mesmíssimas posturas, pois vendo o quão longe a liberdade nos conduz sentiram no ambiente das idéias comparativas a amplitude do processo de conhecer a realidade. Diríamos que aquele sujeito, que para nos é quase que repelente, não vive a realidade. É certo dizer isto? Julgo que ele vive a realidade mas não a conhece, está simplesmente no campo dos prazeres supérfluos e não da busca filosófica que constitui justamente no que aqui nos empreendemos com todo vigor a fazer, se estamos conseguindo ou não somente a mudança de nossas realidades poderá revelar. É um processo árduo e dificultoso este, pois para que se concretize o processo filosófico devemos parar de viver. Não riam nem subestimem estas frases loucas leitores, pois a arrogância têm por certo momentos adequados a se expandir, mas não agora! Quê se deve fazer para saber o que é viver? Como deixar de viver para filosofar? Entrar na cela da ignorância? Morrer? Sim comparsas das mais variadas crendices e antagonismos! Deve morrer, por pouco que seja, aquela vida intensa e desmensuradamente vivencial, para por breves momentos viver para o conhecer, ou conhecer o viver. Confuso, confuso, confuso... Magnífico, Magnífico, Magnífico...
A grosso modo estou dizendo que você deve ficar um breve momento d seu dia, de seu mês, de seu ano ou de sua vida em silêncio e pensar sobre o que faz, não faz ou deixa de fazer! Deve perguntar tudo o que seja possível perguntar sobre estas coisas e descobrir através disto novas coisas. Ou seja: um momento de silêncio pessoal: O que designa-se como corrida de longa distância! Preferencialmente numa mata longínqua, densa, desconhecida onde perpassaremos pela quietude e silêncio externos, mas onde os processos de transformação internos são tão intensos quanto é a corrida do corpo que corre. A abstração das divagações que até agora fizemos se une à corrida dum modo eficaz, que têm nexo e sentido moral, psíquico e filosófico. Correr... Correr... Correr...
A sociedade entretanto atulha nossas mentes de tudo quanto possa existir de informação no mundo, fazendo-nos de fantoches até nas atitudes, conceitos, atitudes, modos de se expressar. Impondo desta maneira a falta de tempo para descobrir a liberdade, a filosofia e a realidade por assim dizer. A sociedade bombasticamente enganosa nos priva da realidade. Qual a solução? Correr numa esteira falando ao celular, vendo TV e fofocando com o professor de musculação ao mesmo tempo?
A derradeira pergunta é por certo uma instigação crucial em nossas investigações, e por isto iremos oficializa-la como de caráter sério e aparentemente burlesco. Mas que há de cômico no ser que não transcende à sua delimitada realidade? É não uma comédia mas uma tragédia, a tragédia da ignorância, talvez a mais peçonhenta de todas as desgraças.
O conhecimento filosófico nos traz a liberdade do correr com a mente os recônditos das abstratas possibilidades, virtuosas imaginações nos instigam a continuar correndo.Mas para onde? Para o abismo do desconhecido! A vasta escuridão será iluminada com descobertas de inigualáveis e inesperadas informações. Mas este é o conhecimento da essência e não do supérfluo como já devo haver abordado noutro capítulo qualquer, com o supérfluo já nos basta ser bombardeados no decorrer de todos os dias. É buscar pela essência! Aqueles que se deixam atulhar transformam-se em entulhos, sim! Muitos sacos de entulhos, cheios de entulho até transbordar: entulhos sólidos, líquidos, entulhos feios, belos, maleáveis, transformáveis, ineficazes, quebráveis, magníficos, desejosos, infernais, celestes ou não atrativos, não obstante são todos entulhos sem quaisquer utilidades. Pronto para serem corroídos pela ira de nosso silêncio, num ato sórdido de busca da liberdade. O conhecimento essencial é de tal magnitude e importância que se faz necessário uma constante busca por ele, é ele, ou sua busca, que nos trará as chaves da gaiola. A velocidade com a qual recebemos o jato de entulhos do mundo nos atulha e não permite que nasça a semente dos conhecimentos essenciais ou da forja da chave, muito cuidado portanto!
Há toda a estrutura de vendagem de uma corrida, de materiais como camisetas esportivas e materiais similares. Os nossos próprios temores, vontades, quereres e não quereres são inconscientemente esculpidos por formadores de opinião, que podem estar na mídia, nos ambientes de corrida como competições, feiras, palestras e até nas conversa mais informais. Enquanto não houver silêncio não haverá liberdade. A liberdade não pode permitir que algo nos delimite no pensar, uma idéia transmitida, seja esta qual for é per si uma delimitação imposta, a menos que seja uma pergunta, pois as perguntas percrustam o campo do mistério e desconhecido. Há gente que é dependente dos entulhos esquecendo a essência da filosofia. À estes não há muitos caminhos a seguir, pois as delimitações são muitas e vêm de todos os lados. Vejamos que o próprio campo da filosofia é na Educação Física muito pouco abordado, e à qualquer palestra sobre esportes que se vá os temas são restritos à fisiologia, biomecânica e métodos de treino, um ímpio erro que não mais podemos cometer, não quero por certo excluir estes interessantes tópicos do conhecimento, mas estes se referem apenas ao aspecto visual e das peças internas da televisão, não conseguem ir além e tentar, ao menos tentar, visualizar ou imaginar o que possa estar por trás do funcionamento da tv: rios, água, vapor, hélices gigantescas... Não é tempo de achar que devemos contribuir de livre e espontânea para a própria delimitação deflagrando numa ignorância disfarçada de inteligência. Conhecer não quer dizer nada, o mais importante passo para a .liberdade é a capacidade de formular perguntas, o que justamente constitui a filosofia, e a ferramenta para isso é a imaginação. Os atulhados não tem tempo para as imaginações.
Devo ser direto em minhas observações, sem rodeios, por isso posso ter parecido pouco grosseiro, o que é menos importante que a liberdade.Compactamente distinguimos dos tipos de conhecimento:
ENTULHO – Formam crânios transbordantes de tão cheios.
FILOSÓFICO – Para que fujamos da prisão na masmorra.
Mas que raios têm tudo isto a ver com a corrida propriamente dita? Poderíamos dizer que um ou outro leitor, estando desprevenido ou tendo aberto o livro ao acaso de maneira espontânea e por uma sorte do destino recaindo nesta página, o que é fato que corrobora no não entendimento da idéia como um todo. Queremos aqui em conjunto descobrir qual a essência que diferencia uma corrida silenciosa e a antagônica barulhenta. Para isto é importante entendermos o conceito de liberdade que aqui vos apresentam, para que um dia as pessoas possam descobrir o que é correr de verdade. Neste caso verdade traduz essência. Qual a essência do correr? Se o conhecimento essencial é baseado nas perguntas que não impõe limites à mente humana o mais importante é fazer perguntas e não necessariamente encontrar as respostas, pois a partir do momento que uma resposta é encontrada pressupõe-se que foi imposto um limite.
Venho notando que a criatividade que foge à essência torna-se supérflua. Em um ato de criação um homem pode se assemelhar à outro, não por coincidência mas pelo fato de que a essência do ser humano é só uma, e mesmo através dos tempos o amor sempre será amor, o ódio sempre será ódio, e assim se passa com muitos sentimentos e também com muitas idéias e pensares, há portanto somente uma essência filosófica no mundo, que pode ou não ser acessada pelos homens. Concluímos com isso que se a essência filosófica é uma só, se há excesso de criatividade ou se penetra mais a fundo na filosofia ou se foge dela transformando eu uma idéia supérflua.

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