O correr e suas nuances" ( ou "A corrida e suas nuances" ) é uma obra criada e escrita por Pompeo M. Bonini: Projetada e idealizada para interagir ideologicamente e conceitualmente com todos os outros livros que escrevi. Nesta interação descobrimos os aspectos holísticos que são as novas nuances da vida... Basta clicar à esquerda nos capítulos ( hiperlinks ) descritos que você segue a tragetória que segui em épocas de treinos árduos ora com metas de competir, ora com metas de deleitar-me com o ato de correr e sentir a natureza. Em trilhas sinuosas pelas matas de lugares longíncuos ou perpassando o asfalto da cidade, seja fartlek ou longão correr é correr e quando passa a fazer parte de nosso estilo de vida provoca alterações em nosso modo de pensar e sentir a vida por alterar ou amplificar determinadas sensações e pensamentos que provêm de quê? Essa é a meta desta obra: buscar o cerne da verdade! Não deixe de fazer seus comentários ao final de cada capítulo, isto contrinuirá para nossas efusivas, enfáticas e complexas reflexões!

5.3.09

Cap. 36 - LIBERDADE E LUTA PELA VIDA

Cap. 36 - LIBERDADE E LUTA PELA VIDA
Possível seria aproximar-nos da loucura querendo chegar à um senso real.

No âmago da consciência de cada ser há uma verdade, corrompida pela conotação supérflua e corriqueira de cada dia. Quando será libertada a energia única que vive em nossas entranhas? Somente quando encontrarmos a liberdade do espírito, a ausência das necessidades, o que conduz à ausência de vontades que não possam ser concretizadas.
Assim, querer correr além daquilo que é permitido é sinal de pobreza de espírito, e logo ausência de liberdade, vejamos agora sobre este tema, ou tema similar a seguinte descrição:
“Entremeado num ambiente competitivo lá estava eu, com toda a convicção de que iria obter um bom desempenho. Tratava-se de um duatlon com a parte de natação e logo depois corrida nas distâncias de 500 mts. e 3.000 mts. Um fato bastante curioso é que dois dias antes sonhei estar conversando com alguns companheiros de treino, noutro dia sonhei estar fazendo um simulado da competição. Após chegar ao local procurei concentrar-me e pensar que iria me sair muito bem, pois estava consciente de que havia treinado bem. O momento da largada foi bastante tranqüilo, procurei não criar muitas tensões em meus pensamentos, não obstante não podia deixar de ver os outros competidores, o que fazia com que eu criasse em min uma certa dose de expectativa e divagação negativa quanto ao me desempenho. Julgo que somos muito influenciados pelas visões, já que este é nosso principal sentido de contato com o mundo, um atleta cheio de patrocínios, vestido de maneira elegante, opulenta e correta certamente cria uma tenção extra nos adversários, é provável que por menos que eu quisesse isto tenha ocorrido comigo, o inconsciente capta coisas de que não nos damos conta e influencia em nosso estado de ser e de estar de modo que o consciente não percebe que o ser como um todo está sendo atingido por fatores externos. Sabia certamente que aquela competição portava importância apreciável já que haviam adversários em quantidade e qualidade, tentando esquecer todos os pensamentos ouvi o tiro de largada e comecei a nadar, e cada vez mais me desconsolava notando que meu desempenho não correspondia em nada com o que previra; Acaso seria melhor não haver feito qualquer previsão? A previsão me trouxe a indignação e a insatisfação! Enquanto meus braços perpassavam pelas maleáveis sendas da água me lembrava dos treinos que há 40 dias estava fazendo, com um comparecimento antes autolitário que democrático, a cada erro desfalecia minha auto imagem positivista mas não a perseverança. Saindo da água como um desesperado, após dois erros de virada e uma trombada incomensuravelmente inconveniente com outro nadador, o qual nadava na mesma raia entretanto na direção oposta, logo tirei os óculos e tentei de maneira desordenada, desesperada e destituída dos mais sutis laivos de razão colocar os tênis, que estando amarrados com determinada amplitude relutavam em abranger a totalidade de meus pés, o que conseqüentemente me rendeu valiosos segundos, segundos estes que devido ao estado de consciência em que me encontrava mais asemelhavam-se à dias ou semanas que propriamente à esta unidade de tempo tão ínfima e constricta. Assim saí correndo após estes breves contratempos, os quais considero como situação absolutamente fora do comum, que não são consideradas como nadar tampouco como correr, mas que abarcam em si uma sensação de que não se sabe onde está nem o que se está fazendo. Saí em vertiginosa corrida, e demorou certo tempo até que soubesse que estava realmente correndo, talvez seja isto devido à troca de ambiente, e quando tomei consciência de que estava correndo e de qual era minha disposição de correr naquele momento meus sentidos de vitória desconfiguraram-se quando vi muito ao longe dois corredores embuidos de uma ferrenha ambientação competitiva, a respiração que oxigenava meus músculos era exacerbadamente rápida indicando até uma certa falta de controle, contrariamente à esta estava meu cérebro pensando em correr mais e mais rápido [ falo dele como se ele não fosse a essência do próprio eu ] logo avistei ao longe um corredor o qual julguei ser o terceiro, mas que ainda de longe cogitava alcançar, fato que inopinadamente e de maneira graciosamente pretenciosa consegui executar. Olhava-o inicialmente pensando que não o atingiria, ao passar de um determinado tempo, pelo fato de que o percurso era constituído de várias voltas pude examinar minuciosamente sua expressão de cansaço, o que certamente me deu novas forças para alcança-lo. Porém o jogo psicológico e físico era bastante perigoso e certamente poderia matar a autoconfiança, e denegrir a imagem que cada um de nós fazia de si, pois os metros se e esvaiam e me preocupava também com a possibilidade de que mesmo estando eu pouco mais rápido findasse ele por acabar na frente, o que representaria, segundo meu julgamento intrínseco, uma voraz injustiça quanto ao desempenho na parte da corrida. Enquanto corria pensava nisto, houve determinado momento que vi não seu utópico chegar à atrapalhar-lhe a concentração com o ruído desagtradável que pudese à ele parecer o de minha respiração, assim mesmo extenuado decidí que aquela seria a hora, ou então nunca pois tudo se acabaria tendo fim a fantasia. Ultrapassei-o como se estivesse me sentindo leve [ é evidente que me sentia como que carregando um bloco de concreto nas costas ] e rezei para que não houvesse reação por parte dele, pois analizando seu porte de triatleta assustava-me: alto, magro, passadas largas e um certo cerne de concentração, se acaso houvesse uma resposta estaria perdido, uma breve curva e logo a reta final, onde naquele momento, pois maiores que fossem os super competidores me sentia como se o próprio super herói Flash das histórias em quadrinho não fosse capaz de chegar perto de min, de tão explosiva e raivosa que era minha velocidade naquele exato momento. [ este era ao menos o julgamento que tinha de min mesmo ]”
Enquanto houver tempo para descalço caminhar sobre a grama, uma paisagem ao longe contemplar, e ainda ao respaldo de uma árvore, sentar, silenciar e a alma apaziguar haverá vida. Por menor que seja este tempo, pois o momento em si não é construído de tempo mas de estado de espírito, se não há acaso um momento do dia para fazer algo aparentemente tão simples como isto não haverá vida, e o espírito ignorantemente estará sujeito às ludibriosas cachoeiras de informações da sociedade, e à limitação implícita da liberdade filosófica.
Caro leitor: Convenhamos que os pensamentos desenvolvidos neste último parágrafo, mesmo que fugindo de maneira escandalosa à descrição, completam de maneira bastante atrativa a frase que traduziu a idéia principal deste fruto ( seu gosto por assim dizer ), frase que fora dita anteriormente à descrição: Verdade corrompida pela conotação supérflua e corriqueira de cada dia. Somos portanto suprimidos pela realidade em que vivemos, de maneira que muitos de nós não conhecem o potencial que possuem. Por quê não conhecem? Lhes responderei esta pergunta com muito bom prazer, a sociedade molha os pés na crista das ondas mas procura não afundar as pernas além dos joelhos, não porque não querem mas porque é de tal modo organizada, o que poderíamos mais tarde definir como desorganizada, que impões ao sujeito que ele não passe deste nível, que não mergulhe mais na imensidão da liberdade de questionar, pensar e viver. Entretanto é uma imposição mascarada, de modo que ludibria o cidadão fazendo com que nem mesmo ele saiba que está sobrevivendo de maneira limitada, fixem-se por favor no fato de que utilizei a palavra sobrevivendo e não vivendo, pois viver de maneira limitada não é viver e sim sobreviver.
A competição em si é uma mera invenção do homem, convencionou-se que seria campeão aquele que chegasse primeiro, o que fosse mais rápido receberia mais honras glamour e méritos. O que é na realidade uma grande ilusão, pois não há no mundo alguém que seja melhor que outrem, e acima de tudo não existe necessidade de se correr tão rápido quanto se faz em uma competição. Portanto o ato de competir extrapola a necessidade de movimentos físicos do ser humano, por isso diz-se que competir não é saudável para o corpo tampouco para a mente já que submete esta igualmente como o corpo à requisições acima dos parâmetros comumente utilizados. É paupérrimo em razão linear inserir um contra-senso em uma discussão, e possível seria aproximar-nos da loucura querendo chegar à um senso real, mas é dito que as idéias antagonistas são bastante viáveis em nosso caso em específico, para que possamos com maior lucidez chegar à teoria do que seria mais ou menos real. Explicar-me-ei leitor bondoso, para que não fique vossa senhoria tão embaralhado quanto aquele que se perde num fosso de azeitonas sem um só palito para petisca-las ( será que fiz uma analogia cabível ou compatível à situação vigente? ). O fato é que o esporte competitivo, tema desta última divagação é inegavelmente parte integrante do ser humano, de modo que à partir do momento em que nascemos lutamos para viver, pode-se dizer que estamos sempre nos esforçando para não morrer, por mais estranha que possa parecer esta afirmação seria uma falta bastante grave dizer que é inverossímil, se há de parar para pensar de maneira pouco mais profunda nesta frase, que retrata um fato: Lutamos contra a morte desde sempre que estamos vivos. A competição desportiva nada mais faz que retratar uma realidade já bastante conhecida do ser humano: a luta pela sobrevivência, desde os primórdios da humanidade já nos entretínhamos com coisas corriqueiras e supérfluas como fugir de feras e buscar desesperadamente por comida, é verdade, talvez tenha me enganado, talvez não sejam estes dois afazeres supérfluos, mas sim antigamente eram bastante corriqueiros, hoje no entanto nos encontramos com a soberba luxúria de uma sociedade desigual e conturbada pelo próprio luxo de modo que não há mais a consciência de saber que ainda lutamos para viver, temos de comer algo caso contrario desfalecemos sem energia, e privamos pela vida, procurando ao máximo não nos submeter às situações perigosas. A maratona portanto descreve a luta pela vida uma situação da qual a sociedade se distanciou amargamente. Maratona é a luta contra a morte, exatos 42.195 metros de uma incansável trajetória de dores e sofrimentos que retratam aquilo que está em falta num mundo de comodismo, prazeres e inércia. É este o sinal de que há uma resposta da naturalidade inconsciente dos humanos à uma conduta de vida artificial impregnada de privação da própria liberdade de escolha de caminhos.
Vejo que houve certamente nas frases anteriores certos ímpetos de revolta, mas vimos com bastante comedimento que fora de maneira automática encontrada senão a solução ao menos a repercussão duma sociedade que acaba por reger, mesmo que este não o sinta ou saiba, a conduta do humano. A repercussão natural é a necessidade de movimento, comparada com a luta pela vida o que hoje sumiu deflagrando na perca da noção do que é a própria vida, pois não mais se sabe que lutamos pela vida. É viável pensar que não se vive mas sobrevive como supraescrito, já que novos conceitos e idéias deglutiram os monólogos anteriores, não somente devoraram como distorceram, dando margem à um ser distante de si mesmo.
É notório verificarmos que o esporte retrata a essência da vida, a necessidade de se lutar pela vida, superar algo para que se continue vivo, física e mentalmente. É plausível no entanto digladiarmos à igual altura que a competição ultrapassa os limites aceitáveis do que poderia ser considerado como suficiente para saúde física e mental. Têm a luta pela vida algum limite? A luta pela vida pode nos proporcionar graves danos no entanto não têm quaisquer limites, o limite seria por certo a própria vida, mas a partir do momento em que o ser é destituído de vida não há mais vida, portanto não há limite.
Competir é lutar pela vida e extrapolar os limites do bom senso, na luta pela vida não há limites de bom, mau ou qualquer senso pois o que importa é a vida. A competição não é somente um fenômeno criado pela cultura \humana, uma convenção de determinadas regras, preceitos e idéias mas também o resultado de necessidades primitivas da vida humana, ou a repercussão do fato de que a luta pela vida foi reprimida pelo próprio modo de viver humano, assim como não precisamos mais lutar pela vida criamos a competição.
Disse que criamos a competição, porém o fato é que uma essência natural do ser humano não pode ser criada pois sempre existiu, é evidente que a competição é a luta pela vida, e que esta é uma essência humana. Assim por isto foi dito que a competição não é somente um fenômeno cultural como também um extravasamento da essência do lutar pela vida, é portanto tão natural quanto comer, respirar ou dormir.
Mas que raios é os tema deste capítulo afinal? Não me vanglorio por haver galgado as escadas deste belo palácio que é a loucura de se perder em si mesmo. Definiremos assim que este é o caminho que nos leva às mais criativas divagações, mas que nos deixa pouco acanhados quando pensamos em organizar os temas, de modo a saber realmente qual o cômodo que visamos.
Incitei no inicio de nossas discussões a idéia de que aquele que nada quer nada precisa, e de que há muitos que querem mais do que precisam. A liberdade é por certo um estado de espírito provindo da não necessidade de nada. Competir é estar livre ou preso e fadado à seguir determinados parâmetros? Segue-se a pergunta: Viver é estar livre ou preso? Se acaso houver algo mais abrangente e maior que a vida diz-se que viver é estar restrito. Pensando que a competição é parte da essência natural do ser falar-se-ia que competir é um ato de liberdade pois não se pode fugir à essência natural, do contrário se dissermos como foi anteriormente negado que a competição é uma criação cultural, uma mera convenção de regras, atitudes e idéias será então uma privação da liberdade. É então a cultura a privação da liberdade? Não porque há, como neste caso, momentos em que a cultura se encontra e atua juntamente com as necessidades naturais humanas, e como já proclamado a necessidade de lutar pela vida é intrinsecamente natural.
Em geral grande parte da cultura impregnada na sociedade priva-nos de conhecer a liberdade natural, pois distorce idéias e conceitos inerentes à todo o redor , que fazem parte do ser num contexto integral e fluente. Estando distorcidas estas idéias tudo fica obscuro e enganoso. Como se a pessoa vivesse algo que não componha a realidade, que não condiz com o real. E a grande maioria pode viver neste estado de letargia e festa de máscaras da fantasia, o grande problema é que as máscaras são tão reais que as pessoas acabam por não saber que estão numa festa de representações acreditando piamente no que vêem.
Dizer-me-ão os leitores precavidos, conscienciosos que já perpasso as idéias por parábolas, comunicando de maneira excessivamente sujeita à interpretação. Pois que continuem vosotros dizendo, e que critiquem minhas faltas e deslizes com o maior desvelo possível que já lhes aclararei alguns tópicos num piscar de olhos.
A própria inatividade física é uma fuga das idéias naturais humanas, a palavra idéias pode ser transcrita como ato, o que significa outra coisa, mas também é algo incrustado na natureza humana. Como podemos deixar de fazer ou pensar algo que é natural e faz parte da essência humana? Isto sim deve ser considerado como a ausência da liberdade, mesmo que seja uma escolha de “livre e espontânea vontade”. Note leitor que fiz questão de colocas aspas em livre e espontânea vontade, pois a partir do momento em que se entra num baile de fantasia e máscaras tão perfeito acreditando serem estas reais não se têm mais um discernimento confiável, é assim que se distorcem os conceitos e idéias. Mas existe um conceito e uma idéia natural? É certo pensarmos que existe quando notarmos que a grande massa da humanidade têm suas repercussões, resultados e extrapolações oriundas da repressão desta energia natural por assim dizer. Isto é, a própria criação das corridas num momento em que o comodismo e inércia começaram a inundar os quatro cantos do planeta. Ou seja: a luta pela vida é uma idéia natural do ser humano, e por mais que esta como outras idéias naturais sejam distorcidas pelo “desenvolvimento” ( que também poderia ser chamado de retrocesso ) sempre haverá um pitoresco indivíduo que irá à festa de fantasias vestido de maneira natural, sem quaisquer vestimenta, como se não soubesse que era para trazer uma fantasia de cabal singularidade ou mesmo entrando de gaiato sem convite ou sapatos. Representando assim o vazamento das idéias naturais ao mundo exterior.
Unimos por fim o conceito de liberdade à competição. Quê têm tudo isto à ver com a descrição de duatlon antecedente? Me pergunta o leitor curioso, ou aquele que porventura abriu o livro numa página qualquer e ocasionalmente iniciou uma leitura descompromissada e aventureira.

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