O correr e suas nuances" ( ou "A corrida e suas nuances" ) é uma obra criada e escrita por Pompeo M. Bonini: Projetada e idealizada para interagir ideologicamente e conceitualmente com todos os outros livros que escrevi. Nesta interação descobrimos os aspectos holísticos que são as novas nuances da vida... Basta clicar à esquerda nos capítulos ( hiperlinks ) descritos que você segue a tragetória que segui em épocas de treinos árduos ora com metas de competir, ora com metas de deleitar-me com o ato de correr e sentir a natureza. Em trilhas sinuosas pelas matas de lugares longíncuos ou perpassando o asfalto da cidade, seja fartlek ou longão correr é correr e quando passa a fazer parte de nosso estilo de vida provoca alterações em nosso modo de pensar e sentir a vida por alterar ou amplificar determinadas sensações e pensamentos que provêm de quê? Essa é a meta desta obra: buscar o cerne da verdade! Não deixe de fazer seus comentários ao final de cada capítulo, isto contrinuirá para nossas efusivas, enfáticas e complexas reflexões!

1.3.09

Cap. 40 - SOBRE O INICIO DO MUNDO:
Porquê haveria esta energia de mudar de estado?

Mas então como começou o mundo? Talvez fosse este sábio senhor, de venerável atitude em seu psicótico e genial surto de criação tenha querido uma realidade companheira à sua solidão, ou então de um nada vazio e mais abstrato que a mais abstrata das idéias, já que se pensar que algo pode surgir do nada é inconcebível. Uma taça não pode surgir do nada, mas sim da formação do vidro que é por sua vez constituído de areia, que se forma nas praias através da decomposição de muitos resíduos e assim por diante numa cadência interminável e cíclica. Fora este um questionamento de Tomás de Aquino querendo comprovar a existência de uma força autora, recaímos inquestionavelmente na mesma concepção já que as idéias essenciais ( como anteriormente dito ) são únicas, e todos aqueles que percrustarem-las chegarão à mesma concepção, sim, são subterfúgios voltados à explicação de que muitos terão idéias iguais sem consultarem uns aos outros, porque o campo de determinadas idéias é universal, basta dar o primeiro passo. É inviável dizer que todo do nada se criou, entretanto há uma ínfima possibilidade disto haver ocorrido se pensar-se que há uma realidade tão maior e distante de nós que não possamos sequer pensar sobre seus parâmetros, fugindo de leis e conceitos considerados como imortais. O universo por certo nunca foi criado, sempre existiu. Sempre é tempo demais, quê poderia ser há uns quantos tempos atrás? Uma bolota de massa? E antes? E antes? E antes? Porquê haveria esta energia de mudar de estado já que ela estava há um tempo infinito no mesmo estado? Pois do mesmo modo que este infinito se estende para trás poderia se estender para frente. Numa concepção burlesca notamos que este foi o exato momento em que Deus sentado à sua mesa, cansado de não fazer nada decidiu criar seu projeto e logo pô-lo em andamento, mas surte demasiado cômico, entretanto tal é nosso nível de entendimento que precisamos com urgência da idéia de um Deus para conseguir conceber num entendimento cabível o surgimento de algo do nada, do contrário é faltoso o nexo entre as idéias.
É bastante convidativo pensar-se que o universo sempre existiu e nunca precisou ser criado, já que assim tudo soa de maneira mais natural sem a necessária intervenção de uma força criadora, neste caso Deus não existe, quê dizer então de nossas complexas vidas, com um cérebro desenvolvido, sentimentos e um corpo bastante capaz? Seria um acaso bem pouco provável desenvolver-se um organismo de tamanha magnitude, recorreríamos então à um arquiteto? Por quê então... pressupondo que sempre tenha existido o universo tal qual já é, e levando em consideração a infinitude do tempo no antes e no depois, não tenha surgido o homem alguns poucos trilhões de anos antes do que surgiu?

A - Reflexões sobre a morte ( por conseqüência sobre a vida )

Basta dizerem que a vida é incerta para que se acredite nesta pérfida afirmação. Mas a vida é muito mas do que isto, quando resolvermos refletir sobre a morte logo nos vemos obrigados a pensar em qual é o sentido da vida. Se a morte é o fim de tudo: o que seria a vida? Um lapso do caminho para o nada? Caminhamos então para o fim. Ó glória das glórias, prazer eterno da mais elevada virtude, caminhar para o fim. Então estamos todos a caminho da morte, sim, mas antes que tudo acabe vamos fazer alguma coisa... sim podemos ter muitos progetos e fazer centenares de coisas neste trajeto que é a vida, trageto que finda num obscuro abismo, não! Nem isto pode ser, pois um obscuro abismo é alguma coisa e a morte é o nada, pois se estamos caindo num abismo existimos e não mais existiremos...
Se soubesse que morreria amanhã que eu iria fazer hoje? Algo diferente do que já faço comumente em minha vida? Morrer amanhã não é a mesma coisa que morrer em 10, 20, ou 100 anos? A morte é a mesma de qualquer jeito, e a vida escolhida por certo também será decidida sob a mesma pressão seja em um dia ou cem anos.
Viver é ser feliz! Mas que frase magnífica, mas como ser feliz sabendo que um dia a vida vai se esvair? Esta é a grande paródia da vida, muito interessante sorrir todos os dias sabendo que a morte virá... Não faz o menor sentido um escritor ficar escrevendo um livro por anos e anos a fio e saber que quando terminar de escrever seu livro irá ser queimado por uma obra obrigatória do destino, se ele souber que isto vai ocorrer por qual motivo iria ele escrever este livro? Talvez somente para passar o tempo pois não tem outra coisa mais interessante para fazer. Assim então, do mesmo modo, vivemos somente para passar o tempo pois não temos outra coisa interessante para fazer... Um arquiteto faz por anos e anos seguidos um magnífico projeto de belíssima construção, mesmo tendo absoluta certeza de que esta sucumbirá no momento em que estiver pronta, e qual a força que poderia levar ele a fazer isto? No mesmo caso se enquadra esta idéia...
Partindo deste princípio, e notando que estamos vivendo, podemos com a melhor lógica de que dispomos concluir que a vida têm um sentido evidente, viver seria então um processo que teria como repercussão a morte, assim, a morte se nos apresenta como um resultado de um intenso trabalho de viver. Sempre trabalha-se no objetivo de conseguir-se algo, mas quê seria este logro pós vida? Tornar-se um arcanjo celeste? Contemplar os feitos conseguidos em vida e nos vangloriarmos com todas as pompas? Mas neste caso ainda estaríamos vivos, e por certo diríamos que a vida está continuando, logo ela não se esvaiu, e por certo o projeto não se acabou. Haverá uma outra morte depois da morte? Faz sentido pois se não houver esta outra vida perde sentido. O que dá sentido à vida é a morte. O que dá sentido à um projeto é saber donde se acaba este. Pois então o processo existencial seria uma sucessão de muitas mortes. O que é bastante estranho, pois para que a morte seja considerada o fim deve-se acreditar que é lá que acaba-se tudo, é como dizer: Eu acredito piamente que o projeto que estou fazendo termina exatamente neste ponto. Mas se a pessoa diz: O projeto que faço pode acabar aqui, mas depois acho que vou fazer isto assim ou daquele outro jeito, então esta pessoa está fadada a se perder, pois qualquer projeto que não tenha uma pretensão específica se perderá. Pois então devemos acreditar na morte para que a vida tenha sentido, do contrário: se tivéssemos certeza de que a vida não se estingue estaríamos sujeitos a cometer confusões nas vivências.
São reflexões comparativas à respeito da vida e do existencialismo. Qual é portanto o sentido da vida? Seria procurar o sentido da vida? Ou seja: o sentido da vida é procurar o sentido da vida, para assim se aproximar à realidade, e, aquele que mais se aproxima da realidade pode ser considerado como mais vivo que o outro.

1 - LIBERDADE E LUTA PELA VIDA
Possível seria aproximar-nos da loucura querendo chegar à um senso real.

No âmago da consciência de cada ser há uma verdade, corrompida pela conotação supérflua e corriqueira de cada dia. Quando será libertada a energia única que vive em nossas entranhas? Somente quando encontrarmos a liberdade do espírito, a ausência das necessidades, o que conduz à ausência de vontades que não possam ser concretizadas.
Assim, querer correr além daquilo que é permitido é sinal de pobreza de espírito, e logo ausência de liberdade, vejamos agora, sobre este tema, ou tema similar a seguinte descrição:
“Entremeado num ambiente competitivo lá estava eu, com toda a convicção de que iria obter um bom desempenho. Tratava-se de um duatlon com a parte de natação e logo depois corrida nas distâncias de 500 mts. e 3.000 mts. Um fato bastante curioso é que dois dias antes sonhei estar conversando com alguns companheiros de treino, noutro dia sonhei estar fazendo um simulado da competição. Após chegar ao local procurei concentrar-me e pensar que iria me sair muito bem, pois estava consciente de que havia treinado bem. O momento da largada foi bastante tranqüilo, procurei não criar muitas tensões em meus pensamentos, não obstante não podia deixar de ver os outros competidores, o que fazia com que eu criasse em min uma certa dose de expectativa e divagação negativa quanto ao me desempenho. Julgo que somos muito influenciados pelas visões, já que este é nosso principal sentido de contato com o mundo, um atleta cheio de patrocínios, vestido de maneira elegante, opulenta e correta certamente cria uma tenção extra nos adversários, é provável que por menos que eu quisesse isto tenha ocorrido comigo, o inconsciente capta coisas de que não nos damos conta e influencia em nosso estado de ser e de estar de modo que o consciente não percebe que o ser como um todo está sendo atingido por fatores externos. Sabia certamente que aquela competição portava importância apreciável já que haviam adversários em quantidade e qualidade, tentando esquecer todos os pensamentos ouvi o tiro de largada e comecei a nadar, e cada vez mais me desconsolava notando que meu desempenho não correspondia em nada com o que previra; Acaso seria melhor não haver feito qualquer previsão? A previsão me trouxe a indignação e a insatisfação! Enquanto meus braços perpassavam pelas maleáveis sendas da água me lembrava dos treinos que há 40 dias estava fazendo, com um comparecimento antes autolitário que democrático, a cada erro desfalecia minha auto imagem positivista mas não a perseverança. Saindo da água como um desesperado, após dois erros de virada e uma trombada incomensuravelmente inconveniente com outro nadador, o qual nadava na mesma raia entretanto na direção oposta, logo tirei os óculos e tentei de maneira desordenada, desesperada e destituída dos mais sutis laivos de razão colocar os tênis, que estando amarrados com determinada amplitude relutavam em abranger a totalidade de meus pés, o que conseqüentemente me rendeu valiosos segundos, segundos estes que devido ao estado de consciência em que me encontrava mais asemelhavam-se à dias ou semanas que propriamente à esta unidade de tempo tão ínfima e constricta. Assim saí correndo após estes breves contratempos, os quais considero como situação absolutamente fora do comum, que não são consideradas como nadar tampouco como correr, mas que abarcam em si uma sensação de que não se sabe onde está nem o que se está fazendo. Saí em vertiginosa corrida, e demorou certo tempo até que soubesse que estava realmente correndo, talvez seja isto devido à troca de ambiente, e quando tomei consciência de que estava correndo e de qual era minha disposição de correr naquele momento meus sentidos de vitória desconfiguraram-se quando vi muito ao longe dois corredores embuidos de uma ferrenha ambientação competitiva, a respiração que oxigenava meus músculos era exacerbadamente rápida indicando até uma certa falta de controle, contrariamente à esta estava meu cérebro pensando em correr mais e mais rápido [ falo dele como se ele não fosse a essência do próprio eu ] logo avistei ao longe um corredor o qual julguei ser o terceiro, mas que ainda de longe cogitava alcançar, fato que inopinadamente e de maneira graciosamente pretenciosa consegui executar. Olhava-o inicialmente pensando que não o atingiria, ao passar de um determinado tempo, pelo fato de que o percurso era constituído de várias voltas pude examinar minuciosamente sua expressão de cansaço, o que certamente me deu novas forças para alcança-lo. Porém o jogo psicológico e físico era bastante perigoso e certamente poderia matar a autoconfiança, e denegrir a imagem que cada um de nós fazia de si, pois os metros se e esvaiam e me preocupava também com a possibilidade de que mesmo estando eu pouco mais rápido findasse ele por acabar na frente, o que representaria, segundo meu julgamento intrínseco, uma voraz injustiça quanto ao desempenho na parte da corrida. Enquanto corria pensava nisto, houve determinado momento que vi não seu utópico chegar à atrapalhar-lhe a concentração com o ruído desagtradável que pudese à ele parecer o de minha respiração, assim mesmo extenuado decidí que aquela seria a hora, ou então nunca pois tudo se acabaria tendo fim a fantasia. Ultrapassei-o como se estivesse me sentindo leve [ é evidente que me sentia como que carregando um bloco de concreto nas costas ] e rezei para que não houvesse reação por parte dele, pois analizando seu porte de triatleta assustava-me: alto, magro, passadas largas e um certo cerne de concentração, se acaso houvesse uma resposta estaria perdido, uma breve curva e logo a reta final, onde naquele momento, pois maiores que fossem os super competidores me sentia como se o próprio super herói Flash das histórias em quadrinho não fosse capaz de chegar perto de min, de tão explosiva e raivosa que era minha velocidade naquele exato momento. [ este era ao menos o julgamento que tinha de min mesmo ]”
Enquanto houver tempo para descalço caminhar sobre a grama, uma paisagem ao longe contemplar, e ainda ao respaldo de uma árvore, sentar, silenciar e a alma apaziguar haverá vida. Por menor que seja este tempo, pois o momento em si não é construído de tempo mas de estado de espírito, se não há acaso um momento do dia para fazer algo aparentemente tão simples como isto não haverá vida, e o espírito ignorantemente estará sujeito às ludibriosas cachoeiras de informações da sociedade, e à limitação implícita da liberdade filosófica.
Caro leitor: Convenhamos que os pensamentos desenvolvidos neste último parágrafo, mesmo que fugindo de maneira escandalosa à descrição, completam de maneira bastante atrativa a frase que traduziu a idéia principal deste fruto ( seu gosto por assim dizer ), frase que fora dita anteriormente à descrição: Verdade corrompida pela conotação supérflua e corriqueira de cada dia. Somos portanto suprimidos pela realidade em que vivemos, de maneira que muitos de nós não conhecem o potencial que possuem. Por quê não conhecem? Lhes responderei esta pergunta com muito bom prazer, a sociedade molha os pés na crista das ondas mas procura não afundar as pernas além dos joelhos, não porque não querem mas porque é de tal modo organizada, o que poderíamos mais tarde definir como desorganizada, que impões ao sujeito que ele não passe deste nível, que não mergulhe mais na imensidão da liberdade de questionar, pensar e viver. Entretanto é uma imposição mascarada, de modo que ludibria o cidadão fazendo com que nem mesmo ele saiba que está sobrevivendo de maneira limitada, fixem-se por favor no fato de que utilizei a palavra sobrevivendo e não vivendo, pois viver de maneira limitada não é viver e sim sobreviver.
A competição em si é uma mera invenção do homem, convencionou-se que seria campeão aquele que chegasse primeiro, o que fosse mais rápido receberia mais honras glamour e méritos. O que é na realidade uma grande ilusão, pois não há no mundo alguém que seja melhor que outrem, e acima de tudo não existe necessidade de se correr tão rápido quanto se faz em uma competição. Portanto o ato de competir extrapola a necessidade de movimentos físicos do ser humano, por isso diz-se que competir não é saudável para o corpo tampouco para a mente já que submete esta igualmente como o corpo à requisições acima dos parâmetros comumente utilizados. É paupérrimo em razão linear inserir um contra-senso em uma discussão, e possível seria aproximar-nos da loucura querendo chegar à um senso real, mas é dito que as idéias antagonistas são bastante viáveis em nosso caso em específico, para que possamos com maior lucidez chegar à teoria do que seria mais ou menos real. Explicar-me-ei leitor bondoso, para que não fique vossa senhoria tão embaralhado quanto aquele que se perde num fosso de azeitonas sem um só palito para petisca-las ( será que fiz uma analogia cabível ou compatível à situação vigente? ). O fato é que o esporte competitivo, tema desta última divagação é inegavelmente parte integrante do ser humano, de modo que à partir do momento em que nascemos lutamos para viver, pode-se dizer que estamos sempre nos esforçando para não morrer, por mais estranha que possa parecer esta afirmação seria uma falta bastante grave dizer que é inverossímil, se há de parar para pensar de maneira pouco mais profunda nesta frase, que retrata um fato: Lutamos contra a morte desde sempre que estamos vivos. A competição desportiva nada mais faz que retratar uma realidade já bastante conhecida do ser humano: a luta pela sobrevivência, desde os primórdios da humanidade já nos entretínhamos com coisas corriqueiras e supérfluas como fugir de feras e buscar desesperadamente por comida, é verdade, talvez tenha me enganado, talvez não sejam estes dois afazeres supérfluos, mas sim antigamente eram bastante corriqueiros, hoje no entanto nos encontramos com a soberba luxúria de uma sociedade desigual e conturbada pelo próprio luxo de modo que não há mais a consciência de saber que ainda lutamos para viver, temos de comer algo caso contrario desfalecemos sem energia, e privamos pela vida, procurando ao máximo não nos submeter às situações perigosas. A maratona portanto descreve a luta pela vida uma situação da qual a sociedade se distanciou amargamente. Maratona é a luta contra a morte, exatos 42.195 metros de uma incansável trajetória de dores e sofrimentos que retratam aquilo que está em falta num mundo de comodismo, prazeres e inércia. É este o sinal de que há uma resposta da naturalidade inconsciente dos humanos à uma conduta de vida artificial impregnada de privação da própria liberdade de escolha de caminhos.
Vejo que houve certamente nas frases anteriores certos ímpetos de revolta, mas vimos com bastante comedimento que fora de maneira automática encontrada senão a solução ao menos a repercussão duma sociedade que acaba por reger, mesmo que este não o sinta ou saiba, a conduta do humano. A repercussão natural é a necessidade de movimento, comparada com a luta pela vida o que hoje sumiu deflagrando na perca da noção do que é a própria vida, pois não mais se sabe que lutamos pela vida. É viável pensar que não se vive mas sobrevive como supraescrito, já que novos conceitos e idéias deglutiram os monólogos anteriores, não somente devoraram como distorceram, dando margem à um ser distante de si mesmo.
É notório verificarmos que o esporte retrata a essência da vida, a necessidade de se lutar pela vida, superar algo para que se continue vivo, física e mentalmente. É plausível no entanto digladiarmos à igual altura que a competição ultrapassa os limites aceitáveis do que poderia ser considerado como suficiente para saúde física e mental. Têm a luta pela vida algum limite? A luta pela vida pode nos proporcionar graves danos no entanto não têm quaisquer limites, o limite seria por certo a própria vida, mas a partir do momento em que o ser é destituído de vida não há mais vida, portanto não há limite.
Competir é lutar pela vida e extrapolar os limites do bom senso, na luta pela vida não há limites de bom, mau ou qualquer senso pois o que importa é a vida. A competição não é somente um fenômeno criado pela cultura \humana, uma convenção de determinadas regras, preceitos e idéias mas também o resultado de necessidades primitivas da vida humana, ou a repercussão do fato de que a luta pela vida foi reprimida pelo próprio modo de viver humano, assim como não precisamos mais lutar pela vida criamos a competição.
Disse que criamos a competição, porém o fato é que uma essência natural do ser humano não pode ser criada pois sempre existiu, é evidente que a competição é a luta pela vida, e que esta é uma essência humana. Assim por isto foi dito que a competição não é somente um fenômeno cultural como também um extravasamento da essência do lutar pela vida, é portanto tão natural quanto comer, respirar ou dormir.
Mas que raios é os tema deste capítulo afinal? Não me vanglorio por haver galgado as escadas deste belo palácio que é a loucura de se perder em si mesmo. Definiremos assim que este é o caminho que nos leva às mais criativas divagações, mas que nos deixa pouco acanhados quando pensamos em organizar os temas, de modo a saber realmente qual o cômodo que visamos.
Incitei no inicio de nossas discussões a idéia de que aquele que nada quer nada precisa, e de que há muitos que querem mais do que precisam. A liberdade é por certo um estado de espírito provindo da não necessidade de nada. Competir é estar livre ou preso e fadado à seguir determinados parâmetros? Segue-se a pergunta: Viver é estar livre ou preso? Se acaso houver algo mais abrangente e maior que a vida diz-se que viver é estar restrito. Pensando que a competição é parte da essência natural do ser falar-se-ia que competir é um ato de liberdade pois não se pode fugir à essência natural, do contrário se dissermos como foi anteriormente negado que a competição é uma criação cultural, uma mera convenção de regras, atitudes e idéias será então uma privação da liberdade. É então a cultura a privação da liberdade? Não porque há, como neste caso, momentos em que a cultura se encontra e atua juntamente com as necessidades naturais humanas, e como já proclamado a necessidade de lutar pela vida é intrinsecamente natural.
Em geral grande parte da cultura impregnada na sociedade priva-nos de conhecer a liberdade natural, pois distorce idéias e conceitos inerentes à todo o redor , que fazem parte do ser num contexto integral e fluente. Estando distorcidas estas idéias tudo fica obscuro e enganoso. Como se a pessoa vivesse algo que não componha a realidade, que não condiz com o real. E a grande maioria pode viver neste estado de letargia e festa de máscaras da fantasia, o grande problema é que as máscaras são tão reais que as pessoas acabam por não saber que estão numa festa de representações acreditando piamente no que vêem.
Dizer-me-ão os leitores precavidos, conscienciosos que já perpasso as idéias por parábolas, comunicando de maneira excessivamente sujeita à interpretação. Pois que continuem vosotros dizendo, e que critiquem minhas faltas e deslizes com o maior desvelo possível que já lhes aclararei alguns tópicos num piscar de olhos.
A própria inatividade física é uma fuga das idéias naturais humanas, a palavra idéias pode ser transcrita como ato, o que significa outra coisa, mas também é algo incrustado na natureza humana. Como podemos deixar de fazer ou pensar algo que é natural e faz parte da essência humana? Isto sim deve ser considerado como a ausência da liberdade, mesmo que seja uma escolha de “livre e espontânea vontade”. Note leitor que fiz questão de colocas aspas em livre e espontânea vontade, pois a partir do momento em que se entra num baile de fantasia e máscaras tão perfeito acreditando serem estas reais não se têm mais um discernimento confiável, é assim que se distorcem os conceitos e idéias. Mas existe um conceito e uma idéia natural? É certo pensarmos que existe quando notarmos que a grande massa da humanidade têm suas repercussões, resultados e extrapolações oriundas da repressão desta energia natural por assim dizer. Isto é, a própria criação das corridas num momento em que o comodismo e inércia começaram a inundar os quatro cantos do planeta. Ou seja: a luta pela vida é uma idéia natural do ser humano, e por mais que esta como outras idéias naturais sejam distorcidas pelo “desenvolvimento” ( que também poderia ser chamado de retrocesso ) sempre haverá um pitoresco indivíduo que irá à festa de fantasias vestido de maneira natural, sem quaisquer vestimenta, como se não soubesse que era para trazer uma fantasia de cabal singularidade ou mesmo entrando de gaiato sem convite ou sapatos. Representando assim o vazamento das idéias naturais ao mundo exterior.
Unimos por fim o conceito de liberdade à competição. Quê têm tudo isto à ver com a descrição de duatlon antecedente? Me pergunta o leitor curioso, ou aquele que porventura abriu o livro numa página qualquer e ocasionalmente iniciou uma leitura descompromissada e aventureira.

2 - O CALABOUÇO DA CONSCIÊNCIA.

Aqui então estamos nós! Estudiosos da corrida submetendo-a sob o abrangente e infinito prisma da vida, libertando de uma jaula o cérebro, que muitas vezes reluta por livre e espontânea vontade em entrar na jaula da ignorância, como um petulante ser, imbuído de ideais repetitivo, monótono e cansativo de tão patético. Relutamos aqui por certo a abrir esta prisão no intuito de conhecer o mundo da liberdade, a vida, a verdadeira vida que se constitui da capacidade real de buscar a verdade por caminhos irregulares e não tão mesquinhos e desfavoráveis quanto pode ser uma vida monótona e linear. A amplitude de nossas divagações é de tal maneira maleável que não somos aqui submetidos à quaisquer restrições de caráter metodológico, e nossa chave é certamente composta dum material mas reluzente, perfeito e forte que o ferro, bronze ou aço. Quiçá seja este material mais bem estruturado que as inescrutáveis essências do titânio! É este forjado nos moldes de nossa mente e comumente chamado de criatividade. A atividade da criação, não se aceita aqui qualquer comodismo de caráter estagnado e supérfluo. Sim meus amigos! Caminhemos através das sendas mais desconhecidas que se nos possam surgir pela frente, e se possível caminhar e correr por elas, sejam matas cerradas ou desertos áridos, mas ao menos nos arrisquemos a tropeçar numa raiz ou morrer de sede, mas que saiamos com glórias e pomposas aclamações daquela pequena jaulinha que é a pérfida e escabrosa ignorância.
É certo que são poucos os que encontram a chave, os que a forjam com as próprias mãos, as mão da consciência, da moral e da busca que é nada mais que o nascimento da liberdade, e a liberdade meus amigos nada representa além da vida, porém não seria aprazível que vos enganasteis com palavras abstratas e comparações artísticas, ou mesmo com estas explanações de analogias literárias. Por isso é acima de tudo irrevogável ver que a vida por certo é a liberdade da filosofia e não necessariamente do corpo, embalsamada e novos conceitos, visões, idéias, e por que descartar aquilo que designam por estado de loucura, já que esta não passa da genialidade... Loucura... Loucura... Por certo é chamado de louco aquele que se distingue de um todo comum, pois que sejamos nós os viajantes dos loucos mundos, diferenciando-nos de todos os simplórios seres destituídos de liberdade. Muito alegres estamos amigos leitores, pois nós somos os detentores das chaves, sim! Muitas chaves! Cada qual abre uma das jaulas de nossa consciência: a chave da criatividade, da inteligência, da razão, da emoção, da divagação, da busca e a do próprio risco que há nisso tudo: tropeçar numa grande raiz, mas logo se levanta e toma outro rumo nesta grande e interminável maratona. Vejam vocês que fato erroneamente caracterizado como burlesco: o molho destas chaves é chamado de loucura. É, pois, digno de bom senso correr como louco se é isto o que caracteriza a liberdade e, por conseguinte a vida. Corramos meus amigos e leitores, corramos aos ideais da loucura, sorrindo, saltando, cantando e sentindo os detalhes da busca, já que corremos atrás da própria consciência do que é a vida e de quem ou do quê somos nós.
Lapsos de busca da realidade da vida insurgem-nos em alguns momentos, é bastante confuso pensar na idéia de que não conhecemos a realidade, e ao mesmo tempo nos revigora uma sensação infantil de curiosidade, há entretanto os que já se julgam tão amadurecidos que de tanto amadurecer já viraram pedra e não mais julgam que há algo a aprender sem suas vidas, algo de incomensurável importância que possa modificar os sólidos alicerces que sustentam suas concepções de vida. Pois é isto justamente de que trata a filosofia, para desmistificar a realidade, modificando-a, codificando-a, acrescentando detalhes à ela ou como com grande honra poderíamos aqui recalcitrar: acrescentando nuances à ela. Nuances estas que podem desequilibra-la fazendo com que a torre de nossas concepções desmorone.
Sejamos entretanto menos românticos e mais diretos. Os sonhos ( esta palavra aqui esta posta representando: vontades ), por exemplo: por muitos considerados como detalhes e outro contingente desconsiderado ( talvez por aquelas pedras supradescritas ) Quê são os sonhos senão a própria realidade? O princípio da realidade. Pode então a realidade tornar-se uma conjectura vazia e o sonho constituir a própria realidade? Quais são nossas idéias, portanto, do que seria entendido por realidade? O abstrato das idéias são reais? Um corredor maratonista pode ser acometido de brevíssimos surtos de idéias sobre o fato de ele se tornar um atleta do mais alto nível, tornando-se veloz como um raio, e capaz de ganhar qualquer competição, coisa que no momento está fora de sua realidade e que consta somente como uma louca idéia ( Lembremos deste termo, por favor ) nascida e uma imaginação excessivamente fértil, o que ele mesmo muitas vezes se sente em desagrado com suas idéias fora de controle. Assim consta que esta lapso de sonho é já um principio de realidade pois para que se concretize requisita alguns outros fatores como vontade, persistência e continuidade no treino. Com isso este corredor de maneira gradativa cambia sua realidade antiga de atleta participativo para atleta competitivo. Proponho então, mediante as últimas dissertações, a seguinte questão: É o sonho o princípio da realidade? Ou seja: A realidade propriamente dita? Está a realidade construída sobre bases tão sólidas que não possam ser desfragmentadas ou derretidas? É a realidade uma jaulinha compacta e pequenina que não haja espaço para a liberdade do livre caminhar das idéias, proposições e teorias filosóficas? Pensemos portanto, neste simples exemplo de refutação da realidade apresentado, pois de outros modos podemos contestar as masmorras nas quais estamos inseridos.
Temos portanto uma transmutação que, quando ocorre, segue uma determinada cadência, esta constitui-se de:
Sinopse:
SONHO – VONTADE – CHAVE – LIBERDADE
O caminho, já com a liberdade adquirida, é envolvido de mistério, já que perpassa o desconhecido campo da mutação de realidade. Tudo se inicia com um sonho, que se descortina numa possível vontade, a chave representa evidentemente o desenvolvimento de potenciais letárgicos e adormecidos como a criatividade, inteligência e audácia de filosofar ao mais longínquo recôndito do inexplicável. Tendo sido forjada uma chave suficientemente forte para não se quebrar faz-se um caminho sem rumos delineados chamado de liberdade, assim se chega a lugar nenhum, pois não haverá por certo um final desta floresta desconhecida e densa designada como noção de realidade. Que seja assim, pois melhor é vagar eternamente num desconhecido mundo de derrotas e glórias que julgar-se conhecedor de uma jaula, sabendo que esta sim têm um fim bastante delimitado.
Não obstante é sedo para concluir-se muitas coisas, já que: Quem vive não sabe o que é viver! Quê devemos então fazer? Sair da perigosa floresta e retornarmos à masmorra como avestruzes idiotas? Repercutindo na ignorância do processo da constante adaptação à realidade mutante? Seria por certo isto uma petulância de nosso processo de descoberta, ou seja minha e tua petulância. Mas o que é viver? Quem vive precisa saber o que é viver? Quem faz a compra de um belíssimo televisor de última geração precisa conhecer seus mais intrínsecos processos de funcionamento para utiliza-lo? Sim meus leitores: é esta a analogia mais simples que podemos fazer relacionada a este aparelho altamente tecnológico que se chama viver, viver é sim nosso aparelho da mais última geração que se possa imaginar, porque como já dito está em constante câmbio, mudança e transformação: se num dia julgamos que nos entendemos e conhecemos noutro logo vemos uma realidade completamente diferente, para não ser drástico ou cataclismático direi então que mudamos um detalhe aqui e outro ali, não deixando com isto de haver um avanço ou retrocesso desta tecnologia que se chama vida. As nossas próprias vidas. Insisto, entretanto, nesta idéia e por certo hei de encontrar uma solução!
Não precisa pois o sujeito conhecer o processo de produção das cores, a totalidade do processo de transformação da eletricidade em luzes, o funcionamento das ondas eletromagnéticas enviadas pelas emissoras de televisão, a origem da energia enviada para a tv, a transferência de energia cinética em elétrica ocorrida numa hidroelétrica fornecedora de energia à sua cidade, ao projeto arquitetônico exigido para que esta fosse construída, as chuvas que formam os rios, à evaporação da água, ou a condensação dela mas é certo que viveria pouco melhor se soubesse. Não meus amigos! Não necessita ele saber tudo isto para utilizar seu magnífico, belo, reluzente, grande, tecnológico, e por fim retumbante televisor. Mas simplesmente deve sim saber apertar quatro botões: o que liga, muda os canais, mexe no volume e o que desliga. Quatro botões tão mágicos quanto possa parecer a própria vida, e tão simples quanto possa ser a quantidade de neurônios deste nosso personagem fictício por certo, mas que representa o total da população mundial, com exceção de um ou outro é claro.Sou rude porque repudio a postura deste grotesco e tosco homem, que nada mais busca senão viver, certamente vossas excelência haverão adotado a mesmíssimas posturas, pois vendo o quão longe a liberdade nos conduz sentiram no ambiente das idéias comparativas a amplitude do processo de conhecer a realidade. Diríamos que aquele sujeito, que para nos é quase que repelente, não vive a realidade. É certo dizer isto? Julgo que ele vive a realidade mas não a conhece, está simplesmente no campo dos prazeres supérfluos e não da busca filosófica que constitui justamente no que aqui nos empreendemos com todo vigor a fazer, se estamos conseguindo ou não somente a mudança de nossas realidades poderá revelar. É um processo árduo e dificultoso este, pois para que se concretize o processo filosófico devemos parar de viver. Não riam nem subestimem estas frases loucas leitores, pois a arrogância têm por certo momentos adequados a se expandir, mas não agora! Quê se deve fazer para saber o que é viver? Como deixar de viver para filosofar? Entrar na cela da ignorância? Morrer? Sim comparsas das mais variadas crendices e antagonismos! Deve morrer, por pouco que seja, aquela vida intensa e desmensuradamente vivencial, para por breves momentos viver para o conhecer, ou conhecer o viver. Confuso, confuso, confuso... Magnífico, Magnífico, Magnífico...
A grosso modo estou dizendo que você deve ficar um breve momento d seu dia, de seu mês, de seu ano ou de sua vida em silêncio e pensar sobre o que faz, não faz ou deixa de fazer! Deve perguntar tudo o que seja possível perguntar sobre estas coisas e descobrir através disto novas coisas. Ou seja: um momento de silêncio pessoal: O que designa-se como corrida de longa distância! Preferencialmente numa mata longínqua, densa, desconhecida onde perpassaremos pela quietude e silêncio externos, mas onde os processos de transformação internos são tão intensos quanto é a corrida do corpo que corre. A abstração das divagações que até agora fizemos se une à corrida dum modo eficaz, que têm nexo e sentido moral, psíquico e filosófico. Correr... Correr... Correr...
A sociedade entretanto atulha nossas mentes de tudo quanto possa existir de informação no mundo, fazendo-nos de fantoches até nas atitudes, conceitos, atitudes, modos de se expressar. Impondo desta maneira a falta de tempo para descobrir a liberdade, a filosofia e a realidade por assim dizer. A sociedade bombasticamente enganosa nos priva da realidade. Qual a solução? Correr numa esteira falando ao celular, vendo TV e fofocando com o professor de musculação ao mesmo tempo?
A derradeira pergunta é por certo uma instigação crucial em nossas investigações, e por isto iremos oficializa-la como de caráter sério e aparentemente burlesco. Mas que há de cômico no ser que não transcende à sua delimitada realidade? É não uma comédia mas uma tragédia, a tragédia da ignorância, talvez a mais peçonhenta de todas as desgraças.
O conhecimento filosófico nos traz a liberdade do correr com a mente os recônditos das abstratas possibilidades, virtuosas imaginações nos instigam a continuar correndo.Mas para onde? Para o abismo do desconhecido! A vasta escuridão será iluminada com descobertas de inigualáveis e inesperadas informações. Mas este é o conhecimento da essência e não do supérfluo como já devo haver abordado noutro capítulo qualquer, com o supérfluo já nos basta ser bombardeados no decorrer de todos os dias. É buscar pela essência! Aqueles que se deixam atulhar transformam-se em entulhos, sim! Muitos sacos de entulhos, cheios de entulho até transbordar: entulhos sólidos, líquidos, entulhos feios, belos, maleáveis, transformáveis, ineficazes, quebráveis, magníficos, desejosos, infernais, celestes ou não atrativos, não obstante são todos entulhos sem quaisquer utilidades. Pronto para serem corroídos pela ira de nosso silêncio, num ato sórdido de busca da liberdade. O conhecimento essencial é de tal magnitude e importância que se faz necessário uma constante busca por ele, é ele, ou sua busca, que nos trará as chaves da gaiola. A velocidade com a qual recebemos o jato de entulhos do mundo nos atulha e não permite que nasça a semente dos conhecimentos essenciais ou da forja da chave, muito cuidado portanto!
Há toda a estrutura de vendagem de uma corrida, de materiais como camisetas esportivas e materiais similares. Os nossos próprios temores, vontades, quereres e não quereres são inconscientemente esculpidos por formadores de opinião, que podem estar na mídia, nos ambientes de corrida como competições, feiras, palestras e até nas conversa mais informais. Enquanto não houver silêncio não haverá liberdade. A liberdade não pode permitir que algo nos delimite no pensar, uma idéia transmitida, seja esta qual for é per si uma delimitação imposta, a menos que seja uma pergunta, pois as perguntas percrustam o campo do mistério e desconhecido. Há gente que é dependente dos entulhos esquecendo a essência da filosofia. À estes não há muitos caminhos a seguir, pois as delimitações são muitas e vêm de todos os lados. Vejamos que o próprio campo da filosofia é na Educação Física muito pouco abordado, e à qualquer palestra sobre esportes que se vá os temas são restritos à fisiologia, biomecânica e métodos de treino, um ímpio erro que não mais podemos cometer, não quero por certo excluir estes interessantes tópicos do conhecimento, mas estes se referem apenas ao aspecto visual e das peças internas da televisão, não conseguem ir além e tentar, ao menos tentar, visualizar ou imaginar o que possa estar por trás do funcionamento da tv: rios, água, vapor, hélices gigantescas... Não é tempo de achar que devemos contribuir de livre e espontânea para a própria delimitação deflagrando numa ignorância disfarçada de inteligência. Conhecer não quer dizer nada, o mais importante passo para a .liberdade é a capacidade de formular perguntas, o que justamente constitui a filosofia, e a ferramenta para isso é a imaginação. Os atulhados não tem tempo para as imaginações.
Devo ser direto em minhas observações, sem rodeios, por isso posso ter parecido pouco grosseiro, o que é menos importante que a liberdade.Compactamente distinguimos dos tipos de conhecimento:
ENTULHO – Formam crânios transbordantes de tão cheios.
FILOSÓFICO – Para que fujamos da prisão na masmorra.
Mas que raios têm tudo isto a ver com a corrida propriamente dita? Poderíamos dizer que um ou outro leitor, estando desprevenido ou tendo aberto o livro ao acaso de maneira espontânea e por uma sorte do destino recaindo nesta página, o que é fato que corrobora no não entendimento da idéia como um todo. Queremos aqui em conjunto descobrir qual a essência que diferencia uma corrida silenciosa e a antagônica barulhenta. Para isto é importante entendermos o conceito de liberdade que aqui vos apresentam, para que um dia as pessoas possam descobrir o que é correr de verdade. Neste caso verdade traduz essência. Qual a essência do correr? Se o conhecimento essencial é baseado nas perguntas que não impõe limites à mente humana o mais importante é fazer perguntas e não necessariamente encontrar as respostas, pois a partir do momento que uma resposta é encontrada pressupõe-se que foi imposto um limite.
Venho notando que a criatividade que foge à essência torna-se supérflua. Em um ato de criação um homem pode se assemelhar à outro, não por coincidência mas pelo fato de que a essência do ser humano é só uma, e mesmo através dos tempos o amor sempre será amor, o ódio sempre será ódio, e assim se passa com muitos sentimentos e também com muitas idéias e pensares, há portanto somente uma essência filosófica no mundo, que pode ou não ser acessada pelos homens. Concluímos com isso que se a essência filosófica é uma só, se há excesso de criatividade ou se penetra mais a fundo na filosofia ou se foge dela transformando eu uma idéia supérflua.

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