O correr e suas nuances" ( ou "A corrida e suas nuances" ) é uma obra criada e escrita por Pompeo M. Bonini: Projetada e idealizada para interagir ideologicamente e conceitualmente com todos os outros livros que escrevi. Nesta interação descobrimos os aspectos holísticos que são as novas nuances da vida... Basta clicar à esquerda nos capítulos ( hiperlinks ) descritos que você segue a tragetória que segui em épocas de treinos árduos ora com metas de competir, ora com metas de deleitar-me com o ato de correr e sentir a natureza. Em trilhas sinuosas pelas matas de lugares longíncuos ou perpassando o asfalto da cidade, seja fartlek ou longão correr é correr e quando passa a fazer parte de nosso estilo de vida provoca alterações em nosso modo de pensar e sentir a vida por alterar ou amplificar determinadas sensações e pensamentos que provêm de quê? Essa é a meta desta obra: buscar o cerne da verdade! Não deixe de fazer seus comentários ao final de cada capítulo, isto contrinuirá para nossas efusivas, enfáticas e complexas reflexões!

17.5.09

CAP. 1 – O ESFORÇO DO CORREDOR

CAP. 1 – O ESFORÇO DO CORREDOR
Sinto aproveitar meu treino quando treino com garra!


O corredor em seus treinos procura sempre atingir sua melhor performance, principalmente se este corredor têm esta idéia de forma obstinada ou se é um corredor de elite, acontece que neste caso uma coisa está relacionada com a outra, pois se o corredor é de elite ele é uma pessoa com idéia obstinada ou se o contrário ocorre a pessoa que têm idéias obstinadas de correr têm grande propensão de se tornar corredora de elite.
É uma questão de personalidade: Pessoas ferozes irão demonstrar toda esta ferocidade na corrida, pessoas calmas igualmente demostrarão a tranqüilidade... ocorre que a corrida possui a capacidade de transformar estes sentimentos em energia, num dia de tristeza, posso correr e expandir toda minha força interior de forma que a tristeza, sendo inferior a esta força de vontade que se apodera de min vai embora, ou simplesmente desintegra-se. Para começar-se a correr deve-se antes ter a idéia de tal coisa, mas para que se inicie esta idéia deve haver um estímulo, que pode este ser por exemplo a música das olimpíadas, ou mesmo uma lembrança, a lembrança de que está no momento de treinar ou de que quero correr. Isso é evidente, pois todo ato de movimento físico passa antes pelos processos mentais racionais, ideológicos e funcionais.
É possível que eu esteja tão triste que não consiga treinar? Qual seria a razão desta tristeza? Posso eu estar tão sem estímulos a ponto de não poder continuar o treino? O quê seria um estímulo para completar-se bem um treino?
As respostas para estas perguntas são coisas que nos ajudariam muito nos treinos. É perfeitamente possível que um atleta esteja fisicamente perfeito, e a nível de alimentação muito bem acompanhado, mas este não têm vontade sequer de começar um determinado treino. Pôr quê isso? Estamos aqui tratando de aspectos inteiramente mentais? Ou são físicos mentais ao mesmo tempo? Por quê seriam físicos se este atleta está em condições físicas perfeitas?
Pode ocorrer de um atleta começar um treino psicologicamente desestimulado, e no decorrer deste treino, sem causa aparente, este indivíduo se vê com bastante vontade de treinar, com isso ele melhora sua performance em 50%. Não há causa aparente para quem o assiste de fora. E para ele? Saberá ele a causa de sua melhora impressionante na velocidade? É esta causa física ou veiculada aos processos mentais? Será física e mental ao mesmo tempo? Quando digo causa física quero relacionar a toda uma série de relações fisiológicas que ocorrem em nossos organismos quando corremos. Pois se estou correndo são liberados hormônios e outras substância em meu sangue, através de glândulas e mesmo em forma de substratos químicos, e, estas substâncias podem atuar em meu cérebro de forma que eu me veja mais calmo e menos preocupado com outros problemas que até então se dominavam minha mente, pois quando estou treinando no mínimo preciso me concentrar no que estou fazendo, do contrário poderia tropeçar em uma pedra ou bater com a cabeça em uma árvore. Estes são processos ativados pela mente para que o corpo se movimente, e que para ela própria possa dominar a ela e ao corpo. Sabemos também que o corpo também têm os seus fenômenos que podem atuar na mente no momento da atividade. Estes processos fariam com que a mente mudasse sua postura e se tornasse a precursora da melhora de vontade e consequentemente de performance.
A vontade é uma grande fonte de bom desempenho. Mas a grande pergunta é: De onde pode vir esta vontade? A verdade é que pode vir de diversas situações, como por exemplo uma pessoa que está correndo em seu costumeiro treinamento, e em um determinado momento não sente-se muito bem, parece estar um pouco abatida, tanto fisicamente com seu fraco desempenho como também em seus pensamentos que são exclusivamente pessimistas. Pode ocorrer neste caso uma mudança repentina de estado emocional através de um amigo que grita desesperadamente para que esta pessoa prossiga seu treinamento com vontade. Instantaneamente o corredor este de nosso exemplo inicia dentro de suas capacidades físicas uma verdadeira façanha, pois sua velocidade que era de lerdo para tartaruga passa a ser bastante apreciável.
Ocorreu portanto um estímulo externo, audível e quase ensurdecedor, que fez com que nosso colega mudasse não somente sua velocidade, pois isso na verdade é uma conseqüência de uma mudança a nível cerebral, ou de atitude mental. Vemos com isso que aquele atleta que têm uma atitude mental positiva é aquele que têm uma porcentagem maior de chances a se desempenhar com grande desenvoltura em uma prova ou treinamento. É evidente que nem todos os dias estamos a ponto de bala, há dias em que estamos tristes por diversos motivos, sejam estes de ordem profissional, familiar, entre uma infinidade de outras coisas que podem estar passando em nossas mentes, é estritamente importante frisar aqui que estamos falando de processos inteiramente mentais, pois meu corpo pode estar biológicamente respondendo com perfeição, porém se minha mente não têm uma atitude positiva em relação ao que faço ou ao que m cerca: Quê será então de meu treinamento? Ou mais importante ainda: Quê será de minha vida? A tristeza por exemplo... Quê é a tristeza? É um estado emocional, que não necessariamente seja negativo, mas que pode influir muito em um treinamento, tanto de forma positiva quanto de forma a atrapalhar o treino, pois deveis estar perguntando como a tristeza influiria de forma positiva, e vos digo que posso me aproveitar de uma situação que me provocou tristeza para me congratular com capacidades que até então ninguém, tampouco eu, sabia que possuía. Vemos isso claramente no cotidiano, há tantas pessoas que enfrentam as maiores adversidades que a vida pode trazer, estas pessoas ficam muito tristes em um determinado momento, porém ocorre que inseridas em um determinado esporte, durante os treinamentos, esta tristeza pode se transformar em uma espécie de revolta para com o problema que ocorre, a revolta se transforma então em energia que é dispendida na forma de movimento. Portanto vemos aqui como os processos mentais influem no desempenho de um determinado atleta e fazem com que este tenha não somente a vontade de se sair bem no esporte como também lograr bons resultados na vida.
É falta de coerência chegar a pensar que somente a tristeza pode vir a trazer benefícios para o esporte ou para a corrida. Devemos analisar as coisas de forma que tentemos chegar à uma realidade. Continuando o mesmo tema, é mais que lógica a teoria de que a tristeza trará maus resultados à corrida, é claro que uma pessoa que está triste achará a corrida monótona e sempre terá idéias contrárias ao que chamamos de idéias positivas. Assim sendo esta pessoa estará disposta a correr mal. Da mesma forma outros sentimentos como alegria ou rancor estarão influindo em grande porcentagem no desempenho e aproveitamento geral da corrida, chegamos aqui a uma brilhante conclusão ( Brilhante segundo o autor, pois os críticos literários e corredores poderão crer uma conclusão enfadonha dependendo do sentimento e vontade com que lêem este texto ), conclusão esta que diz que na verdade tudo é bastante volátil, posso eu estar triste e com isso não conseguir me desempenhar bem na corrida, e outra pessoa também triste talvez até por um motivo bastante similar se aproveitar desta situação para criar uma explosão sinergética funcionando como uma grande descarga de origem mental e com finalização física, e o mesmo ocorrerá com todos os outros sentimentos. Tudo depende de como trabalhamos nossos sentimentos e não quais são estes sentimentos.

16.5.09

CAP. 2- CORRER, TRABALHAR E ESTUDAR.

CAP. 2- CORRER, TRABALHAR E ESTUDAR.
Não é fácil conciliar 1000 coisas ao mesmo tempo.


Há um tema muito interessante a ser abordado em nossas dissertações, trata-se justamente da quantidade de atividades que desempenhamos em nosso dia a dia. A corrida é uma atividade considerada secundaria quando temos a necessidade de trabalhar para nos sustentar. A não ser que a pessoa seja atleta de elite, e consiga com seus prêmios e patrocínios se sustentar, porém este é o caso mais difícil de ocorrer.
Não consideramos portanto a corrida como uma atividade essencial para nossas vidas. Entretanto numa antigüidade remota poderíamos dizer que a corrida era essencial à vida, porque se eu fosse um homem primitivo eu estaria passando por situações que me fariam correr para sobreviver. Como por exemplo fugir de um urso quando achando que a caverna fosse uma propriedade pública ou abandonada, nosso homem das cavernas descobrisse que era uma propriedade particular.
Há um grande problema em nossa sociedade no que se refere aos aspectos práticos e o que não é prático, vejam leitores como a arte por exemplo colocada em segundo plano. É a arte importante para a humanidade? O quê é a arte? Seria a expansão dos sentimentos humanos, podemos abordar o tema deste capítulo de duas maneiras a primeira é aquela que se refere ao tempo que dispomos para executar determinada atividade, a outra é saber qual o nível de importância que damos a esta atividade.
Ainda nos atendo ao exemplo arte vemos que muitas pessoas não sentem quaisquer tipos de atrações por um quadro. Qual seria o motivo desta atitude? Em nossas vidas muitas vezes ficamos restritos a fazer sempre as mesmas atividades, e quando saímos, ou por necessidade, ou por outros motivos de nosso costumeiro dia a dia logo nos sentimos mal. Vejam vocês leitores por meu próprio exemplo, eu que estava acostumado a correr longas distâncias todos os dias me vi perdido quando pus gesso no pé, ficando privado da corrida, se ficasse pensando em minha atividade anterior logo ficaria louco, por isso decidi fazer outras atividades como por exemplo ler. Veja que a realidade de um ser humano muda conforme sua vontade.
Um dos grandes dilemas de nossa sociedade é a falta de sentimentos, eu diria que as pessoas que ficam tão somente restritas aos aspectos práticos da vida são menos sentimentais que as pessoas que buscam algo a mais. O quê seria este algo a mais? Seria justamente a arte e todas as suas ferramentas de expressão como a dança, a música, a pintura e outros...
Seria a corrida uma ferramenta de expressão artística? Claro que sim! A corrida é um algo a mais, pelo menos para a maioria das pessoas, pois a grande massa não corre para ganhar dinheiro e sim por outros motivos. Para saber se estamos utilizando a corrida como um aprofundamento sentimental devemos analisar se corremos por motivos práticos como dinheiro, emagrecimento ou se corremos pela arte de correr.
Correr, trabalhar e estudar podem ser considerados como aspectos práticos na sociedade, porém correr com menos nível de praticidade. A sociedade pensa desta maneira, infelizmente, pois do contrário viveríamos mais harmoniosamente. Quantos já não me perguntaram da seguinte maneira: Já ganhou alguma corrida? Vai conseguir ganhar determinada prova? Fazem assim porquê somente pensam no que pode trazer benefícios táteis, os benefícios mais refinados tais como sentimentos elevados, confraternização, expressão corporal são considerados irrelevantes à estas pessoas. Assim divido os benefícios em duas partes:
A – Benefícios táteis: Já impregnados na sociedade, são facilmente visíveis. Encontram-se em nossa sociedade entre as coisas mais importantes senão unicamente importantes para a vida, são exemplos ganhar dinheiro, trabalhar, fazer isso e aquilo de maneira robótica. Bastante visível quando notamos que aos poucos podemos nos impregnar destes conceitos. Vejam aquele corredor que no início de suas atividades corria somente por prazer, e que aos poucos, mesmo sem estar ciente disto, perdeu as alegrias sendo envolvido pelos motivos competitivos da corrida. Perde-se portanto a graça verdadeira da corrida.
B – Benefícios refinados: Elevam a consciência humana a um patamar mais alto, estão inseridas neste as ferramentas que são de suma importância para sua expansão, estas já citadas são a música, dança, desenho, pintura e corrida. Tudo mais que seja feito com sentimentos verdadeiros é válido. Importante é saber que a própria arte e corrida podem ser executados sem quaisquer sentimentos de caráter expansivo, ou de maneira robótica. Isso indica que estas ferramentas estariam sendo utilizadas da maneira incorreta, pois que é o sentimento senão uma contínua verdade humana? Os sentimentos são o que mais desenvolvem o refinamento da alma, devemos notar quais são os reais benefícios que pode trazer a corrida? É muito mais valoroso correr e passar por uma situação agradabilíssima que simplesmente ficar estagnado com idéias supérfluas que imergem a sociedade. Interessante foi quando um corredor que conheci num parque enquanto executava meu treinamento disse-me que decidira correr numa praia quase deserta, e que num determinado momento atravessou certa parte da praia em que esvoaçaram-se centenas de gaivotas. Fez esta referência com bastante vivacidade nas palavras, quase que me deixando igualmente extasiado. Foram dois os fatores principais que me citou através de suas palavras: primeiramente o fato de estar solitário ou quase, e o segundo tratou-se da contemplação das aves. É inopinadamente bonito contemplar alguns detalhes que transcendem ao comum de nossa sociedade. Ao mesmo tempo que criamos nossa cultura e a cidade nos distanciamos da origem, ou da natureza por assim dizer, é no momento de retorno que emerge um sentimento de alegria ou o que poderíamos chamar de sentimento refinado. Seria ignorância, ou falta de discernimento dizer que no momento em que este corredor maravilhava-se com suas visões estivesse ele ao mesmo tempo preocupado com emagrecer, ou com uma determinada prova que deveria correr em tal dia, e por isso treinar arduamente, se caso isto ocorresse diríamos que lhe faltam os benefícios refinados. A natureza é um tema bastante interessante, e que incita sentimentos de caráter mais sérios e verdadeiros. Com grande tristeza e desalento vejo que a sociedade caminha para um ambiente comodista cheio de facilidades. Muitos consideram a corrida como esporte extenuante e cansativo o que numa primeira instância é afirmativa bastante verdadeira, porém este cansaço não é causador de maledicências e sim de alegrias verdadeiras ou refinadas por assim dizer.

Com relação ao modo de viver de nossa sociedade creio que seja bastante importante notar-se qual o nível de exigência de nós para com nós mesmos, por isto está proposto um capítulo que fale sobre três atividades diferentes. A estafa mental e física é a decorrência do uso excessivo do corpo e da mente. É bastante apreciável o pensamento que nos diz que tudo é volátil, nada poder-se-ia ser dito como inverossímil verdade se assim for. Em nossos divagares está dito que não há verdade que não possa ser contestada, o fogo é bastante belo quando visto de uma pessoa que se encontra numa poltrona diante duma lareira, suas nuanças vermelhas e amarelas podem ser contempladas com artísticos matizes, flamas de inigualável beleza, porém ao mesmo tempo e numa mesma realidade coexistem as infernais e terrificantes chamas, que com seu ardor crucial e sua combustão pavorosa definha a madeira. Assim consta que nós nunca poderíamos abordar um tema sem que nos precavêssemos de que de forma melindrosa existem ocultas ramificações relacionadas à sabedoria. Dito isto clamaremos por verdades diversas, que em momentos podem se contrapor como o fazem dos guerreiros de exércitos opostos, ou complementarem-se a formar uma só música de notas excêntricas.
O corpo humano se adapta à diversas situações, por certo se dizemos isto é minimamente condizente proferir que assim o faz a mente. Assim, se sou maratonista que treina de maneira adequada para competições pode ser bastante fácil à minha maneira de ver, sentir, pensar e executar uma maratona, isto porque meu organismo está adequado à esta situação, e igualmente este é o estado em que encontram-se minhas características psicológicas, pois: do mesmo modo em que meu corpo deve se adaptar ao esforço adicional minha mente deve se preparar e inteirar-se dos aspectos mentais requisitados para os treinos diários e a competição propriamente dita, tais aspectos como: determinação em seu propósito, auto-estima, capacidade reflexiva, concentração e ideologia de atividade podem ser classificados como fatores mentais de um atleta.
As mudanças e adaptações físicas e mentais são visíveis no ser humano, o exemplo acima citado é exemplo disto, assim como no trabalho e nas atividades de cunho estudioso dizemos que há adaptação. O estresse é o porvir do excesso de quaisquer destas atividades citadas ou destas três conciliadas. Porém num lado contraposto há o fator de que cada ser humano é diferente dos outro, a começar poderíamos analisar de forma sistemática e minuciosa já que nossos genes em hipótese alguma podem ser iguais. Os pensamentos, personalidades e manias são diferentes entre si da mesma forma que uma formiga difere-se dum elefante, neste contexto há de ser anunciado que cada pessoa é mais ou menos adequada à uma situação, isso sem que nos esqueçamos de que levamos em consideração aspectos mentais e físicos. De modo que um indivíduo por sua constituição genética têm maior propensão à dormir que outrem, tanto como correr, ler, conduzir veículo, rir, chorar, crescer, engordar ou desenvolver determinado tipo de doença, tudo isto se insere no código genético. Contudo não podemos deixar de citar os fatores externos que se arraigam no antro de nosso ser, estes são compostos pela educação e influência da sociedade. Estas são imagens nas quais inconscientemente nos espelhamos. Cada pessoa é por assim dizer única.
Esta idéia de unidade e individualidade pode nos fazer pensar que haverão pessoas que podem se introduzir numa rotina diária que para outro seria extremamente fatigante, senão impossível. De forma cabível não nos acertamos quando dizemos que é inconveniente ou errado dormir menos de oito horas por dia, há gente que dorme duas ou três, justo para galgar tempo a treinar e executar outras tarefas que são pertinentes à esta pessoa. As ciências médicas estipulam determinados paramentos, os quais seria ímpia mediocridade considerar como verdades efetivas para a eterno castelo do conhecimento já que acabamos de nos basear num contexto de elasticidade e maleabilidade dos assuntos debatidos. Por isso diz-se que cada pessoa é receptiva de maneira diferente ao mesmo tipo de treino.
Qual a corrida mais prazerosa? A mais fluente? Digamos de maneira burlesca: qual é a corrida mais corrida? Ou então: Qual a essência da corrida? São estas questões bastante pertinentes ao tema deste capítulo...
A corrida mais verdadeira de todas é a corrida despretensiosa, descompromissada, brincalhona, livre, inesperada, louca, desregrada e humana. Sim, a mais simples de todas, a mais distante de qualquer método, o correr por correr, não correr para competir ou correr para completar determinada distancia, longe disso: tudo deve ser espontâneo, criativo, novo, intuitivo, improvisado, e se possível longe de algo que possa fazer sentido ou ter nexo. Essa é a corrida verdadeira, a corrida da criança, a corrida que faz desvanecer os preceitos pregados por uma sociedade comercial, exigente, metódica. Uma sociedade que encarcera todos os valores criativos que aqui foram aplicados à corrida, valores tais que levam à liberdade de corpo e mente.
É então a corrida, quando executada da maneira proscrita um laivo de liberdade dentro duma incomensurável esfera prisional? Um breve momento de arte dentro de outros preenchidos das mais profanas ordens, obrigatoriedades, das besteiras ignominiosas e restritas duma sociedade de máquinas e não de humanos? A liberdade de expressão e de ação é um caminho para a humanização dos seres, que por certo não podem ser chamados de humanos apenas por terem nascido. Pode ser sim um momento escasso de liberdade, não uma fuga senão uma expansão da consciência, pode até ser uma fuga, mas neste caso não são os covardes que fogem pois quem se desumanizou foi a própria sociedade, e os corredores ( os que correm com a essência da corrida ) decidiram não se restringir ao método, à alienação da mente, e ao inter-relacionamento robótico entre os seres. Pois então a corrida passa a ser a procura de valores humanos.
Vejamos então uma descrição que se fundamenta no que aqui foi dito:
“Comecei então a correr, bem devagar, não havia definitivamente nenhum motivo para que eu quisesse apertar o passo, nenhuma competição, nenhuma tabela de treino, nenhum relógio e nem um cachorro qualquer desesperadamente raivoso. Corria com a maior inocência imaginável, despretencioso e despreocupado. Assim nada mais importava que não fosse aquele momento, minha mente não estava nem no futuro nem no passado, mas sim captando as sensações daquele momento: A grama respondia com um leve farfalhar às contínuas passadas numa cadência perpétua, a trilha se estendia formando mais à frente uma estrada de terra em que grilos produziam seus característicos e calmantes sons. Havia um estranho silêncio nisto tudo, esquecera que ao lado passava uma rodovia de tráfego intenso, não só esquecera como não a notava. Tudo era paz e harmonia, qualquer problema que eu tinha parecia haver desaparecido. Teria ele sido resolvido por alguma estranha força desconhecida? É diferente ocultar algo de resolve-lo. Pois os problemas caso tivessem sido ocultados pelo silêncio da corrida eu os sentiria? O que os olhos não vêem o coração não sente? Mas algo que já foi conhecido ( um problema ) já foi visto, e mesmo se fecharmos os olhos estaremos cientes de que existe o problema, e assim é impossível que a corrida oculte os problemas, o que ela faz na verdade é de alguma maneira resolve os problemas. Devemos lembrar de que ela somos nós: Nós ( quando um sujeito corre ) somos a própria corrida, somos o que fazemos. Ser corrida é não ser outras coisas, logo somem os problemas, se resolvem. Me espantava o silêncio que sentia naquele momento... Como pode uma coisa tão simples ter um poder tão devastador? Os humanos em geral têm grande tendência em querer tornar as coisas mais complexas, e acabam por esquecer-se dos mais significativos atos são bastante simples. Enquanto corria me perdia em devaneios metafísicos, até que cheguei num parque bastante arborizado, com trilhas de intrincadas matas, minha nossa! Quase me esqueço! Hei de dizer que antes de neste parque arrivar enquanto corria pelos percalços da trilha antecedente, senti um gélido e revigorante ar perpassar minhas faces, numa indescritível sensação de prazer senti que aquilo era o odor característico da massa de árvores, plantas e lagos que compunham aquela selva. Ah! Mas que harmonia me transmitia aquele renovado ar! E quê dizer desta liberdade? A natureza tem tamanha desenvoltura, é tão artística e livre, vejam a maneira espontânea e casual que crescem as raízes das árvores. Quê dizer então das pedras, folhas grandes ou pequenas: Quê é que no mundo pode ser mais criativo que tudo isto? E ainda consta que tudo é regido por processos harmônicos de equilíbrio... Assim corria eu dentre arbustos e pedriscos vislumbrado com o que via, é interessante que não provoca enjôos, pasmação ou chatice contemplar a natureza, deve ser ela que fica enojada de contemplar a nós humanos, isto sim,pois desumanizamo-nos infelizmente, pois nós mesmos somos a natureza, e olhamos para ela como se fossemos outra coisa, diferentes, separados, superiores... Nossos corpo não são naturais? Ao menos no que consta até agora sim! Oh natureza! Tão bela e benfazeja és, que poderíamos fazer a retribuir-te os favores? Calar tratores? Sim no mínimo isto... Então a corrida se prolongou por não sei por quanto tempo, estava sem relógio. Mas quê importa? Não estava eu de bem comigo mesmo? O importante não é ser criativo, espontâneo e intuitivo? Quê fazer então com uma plaqueta cheia de pequenos números e dois ponteiros incansáveis? Ods humanos são cansáveis, têm seus limites e vontades inesperadas, mas os relógios não: são sempre previsíveis, sabemos sempre qual será a próxima hora, o próximo minuto, o próximo segundo. E por isto morremos, morremos numa podridão pérfida e mórbida, sempre de relógio: pois este deve estar nos pultos de todos os humanos que tenham um mínimo de saúde mental e bom senso. Tudo é apricado à corrida de maneira que hoje existe a competição. Competição tão mórbida como os humanos, apenas a personificação da sociedade quadrada e previsível, onde está então a criatividade? É de fato verídico que para a consciência não existe tempo nem espaço, posso pensar em outro lugar, outro tempo e sentir o que pensar. Não é o sentir o mais profundo vivenciar? Ser indiferente é não viver, é a morte! Assim corria eu, talvez tenha me exacerbado nas ponderações e feito rodeios demais, não obstante é fato verídico nesta história que contemplava embasbacado as plantas por ali, até que ao final daquela corrida disse a min mesmo: O importante é ser despretencioso, isto é a vitória!”

15.5.09

CAP. 3- O TREINAMENTO PERFEITO

CAP. 3- O TREINAMENTO PERFEITO

Qual é o treinamento mais perfeito de todos? Treinamento perfeito seria aquele que traz benefícios físicos à pessoa que treina, como por exemplo o fato de trabalharmos a parte cardio vascular do corpo isso segundo o profissional ligado à área de saúde. Ocorre que podemos considerar o treinamento perfeito aquele que gostamos, porém podemos estar gostando de um treinamento específico e este estar fazendo mal à nosso organismo. E por quê gostamos de algo que nos está fazendo mal? Primeiramente devemos considerar que tal corredor pode não estar sabendo que correndo de determinada maneira está fazendo mal à seu organismo ou mesmo à sua mente. A primeira medida de prevenção seria inicialmente conhecer quais são os tipos de treinamentos, como são procedidos os mesmos e para quê servem cada um deles, para que assim sejam utilizados no momento certo e da maneira correta.
O corpo humano possui um limite, e ele mesmo nos mostra isso através de sua linguagem: a dor. A dor é um sinal de que algo não está certo, de que se está passando os limites. Infelizmente muitos corredores não sabem ou mesmo insistem em não ouvir a linguagem que o corpo está passando. Inadiavelmente mais tarde haverão conseqüências tristes. Através de diversas substâncias podemos dopar nosso corpo de forma que este não tenha mais a sensação de dor, e assim podemos correr tão rápido quanto podemos. Fato bastante incorreto, porém que ocorre no esporte, principalmente na parte competitiva.
Voltando ao tema base, devemos nos ater para o fato de que o treinamento perfeito é todo aquele que me traz prazer não importando qual o tipo de prazer. Posso eu estar correndo e sentir dor, mas neste momento estaria eu pensando em um filme muito emocionante o qual assistira na véspera com tema ligado ao esporte, e com isso minha vontade e meu desejo de vencer tenha aumentado de nível, com isso posso dizer que meu prazer mental é imenso a pesar de que fisicamente eu esteja em um estado não muito apreciável. O contrário pode perfeitamente ocorrer, ou seja, me corpo se encontra em estado perfeito e sinto um prazer físico de tamanha grandeza que isso me deixa extasiado, pois sei que tenho grande controle de meu corpo, tenho muita força e resistência, meus movimentos são perfeitamente controláveis e com isso me sinto bem, porém estou desgastado mentalmente com alguns fatos ou com algumas idéias. Quê aconteceria então neste caso? O rendimento cairia? A questão de que estamos tratando aqui agora pode parecer simplista, porém não o é. Quem sou eu? O quê sou eu? Posso responder que sou um ser humano. Esta resposta parece ser perfeitamente viável se pensarmos de uma forma mais direta, mas ocorre que o ser humano é dotado de tantas capacidade que por isso não conhece todas as suas capacidades. O mundo mental que faz parte de min sou eu? Meus pensamentos são meus ou eles são o próprio eu? Pois se eu digo que meus pensamentos são sais e tais eles não fazem parte de min, pois simplesmente são de minha posse. Poderíamos então dividir os pensamentos entre aqueles que são meus e os outros que são o eu, e estes últimos seriam os pensamentos mais profundos os quais não conheço ou tenho uma idéia muito superficial deles.
Se eu sou meu pensamento meu corpo faz parte de min? Não necessariamente, pois o corpo poderia ser neste caso apenas um instrumento para min ( para os pensamentos ) adquirirem experiências conhecimentos e emoções que na verdade são os pensamentos superficiais e os profundos dos quais faço parte integrante.
Esta discussão sobre o quê sou pode parecer um pouco louca, mas é interessante ver o por quê de terem surgido estas idéias. Vejam bem leitores: Se sou meus próprios pensamentos, é evidente que se pensar em coisas triste tudo se refletirá para o corpo, mas, se do contrário sou meu corpo, Quanto melhor eu controlá-lo e treinar com boa vontade isso se refletirá em minha mente.
Poder-se-ia dizer que nem uma nem outra idéia são verdadeiras, há de haver um equilíbrio, eu diria que quando estou praticando atividade física eu sou meu corpo e utilizo minha mente ao meu favor. Quando estou pensando, lendo ou raciocinando sou minha mente mas lamentavelmente não utilizo o corpo para ajudar no meu entendimento imaginativo do que faço, mas é muito claro que meu corpo influí em meus pensamentos pois nada melhor que um corpo saudável para ler um bom livro. Pacientemente vocês devem estar se perguntando qual é o sentido da última frase citada anteriormente, se baseia justamente no fato de que nossos corpos são verdadeiros laboratórios químicos, sabendo-se que a atividade física influi no corpo liberando hormônios e outras substâncias, nada melhor que chegar à conclusão de que a corrida influindo nos processos químicos do corpo influirá também na atividade cerebral já que o cérebro está ligado à corrente sangüínea, e dela extrai diversas substâncias.
É se necessário, para facilitar o entendimento da matéria, citar algo que tenha caráter mais prático. Um amigo que é nadador de Borboleta treinou bastante para um determinado teste, chegou a conseguir em seus treinos o índice necessário para passar no teste, infelizmente ocorreu que no momento do teste, a pesar de ele estar em seu auge físico não conseguiu a mesma marca. Sabe-se que o único motivo causador desta má performance teve origem mental, pois seu corpo estava nas melhores condições possíveis. Quem é ele? Seu corpo ou sua mente. Por quê falamos: - Meu corpo ficou todo doído; E não: - eu fiquei dolorido; É até engraçado analisarmos estas duas frases pois se o corpo é teu ele parece ser um bem ou objeto que você está visualizando de fora. Da mesma maneira dizemos: - Meus pensamentos eram instáveis; Também nos encontramos em uma situação bastante cômica, pois que são seus pensamentos senão você? Deveria-se dizer: - Eu era instável. Destes divagares encontramos duas teorias contrapostas que poderiam resolucionar este problema: ou sou o corpo e a mente ao mesmo tempo ou sou algo que foge aos dois e está além de minha compreensão. Voltando então à prática vemos que se este colega estivesse se concentrando somente em seu corpo teria ele se saído melhor, já que sua mente não se encontrava nas melhores condições, pois ele é seu corpo, seu corpo é perfeito, logo ele será perfeito e não apresentará quaisquer tipos de problemas durante a competição, lógico que antes e depois igualmente.
Tudo depende de como trabalhamos o corpo e a mente, à vezes um bom treinamento depende de detalhes que não conseguimos perceber.
Tudo está posto de uma forma bastante direta, sem que eu tenha entrado em detalhes, os quais confesso a vocês que não me aprofundei, porém está dada uma idéia inicial, importante para que pensemos e reflitamos sobre estes assuntos.
Insisto neste tema de forma lúcida e pormenorizada, porque no fundo o que importa no ser humano é o prazer, vivemos constantemente atrás do prazer, é viável e lógico que o treinamento perfeito seja aquele que proporciona maior prazer, seja este prazer físico ou mental. Acontece que as pessoas geralmente acham difícil conciliar a dor ao prazer. As coisas que provocam maior alegria na vida são aquelas que requisitaram grandes dificuldades, logo encontramos a praxe de que a dor provoca prazer. Claro que podemos diferenciar alegria sincera de prazeres supérfluos, quero concluir com tudo isto que a corrida pode provocar tanto prazeres que se encontram na margem da felicidade tanto como nas profundezas das realizações, requisito agora, caríssimo leitor, laivos de tua atenção para com a respectiva descrição, da qual agarraremos bastante proveito.
“Um dia de bastante sol é verdade! Exatamente 30 graus célcius, esta era a temperatura quando às 3:00 da tarde decidimos sair correndo pela cidade, eu a pé e um colega de bicicleta. No decorrer do trajeto comecei a sentir que não estava realmente acostumado a correr com aquele sol, é verdade, pois é inicio de treino. Faço apenas treinamento de base, mesmo prevenido com boné suava a grandes flancos, o que me deixava em estado de ardor. Meu tênis começou a esquentar, neste momento concluí que o asfalto parecia mais uma frigideira que outra coisa. Chegamos ao objetivo: o local da inscrição de uma corrida determinada, fizemos a inscrição e fomos ao treino no parque. Bastante arborizado e com trilhas apreciáveis. Olhamos ao céu e sem que trabalhássemos em quaisquer empresas de previsão do tempo logo notamos que iria ocorrer algo como uma tempestade, ou chuva bastante forte. – Não! Nada de desistir, se não haver raios não há perigos... – disse eu, enquanto acorrentávamos a bicicleta num poste, pois assim ocorreu: a chuva caiu numa tempestuosa onda de gotas pavorosas, enquanto nós dois corríamos sem nos preocupar com a ímpia chuva, a trilha por certo que estava abarrotada de barro aquoso, porém a concentração e o objetivo eram as duas palavras que mais martelavam nossas mentes, olhando para frente, não há neste momento preocupações de caráter mesquinho tais como onde estou pisando, a lama, a água, as raízes, a grama e tudo o mais que possa a vir no transcorrer do trajeto não são mais que hilárias piadas num caminho bastante diversificado. Incomensuráveis possas de água, gigantescos lamaçais São simplesmente ignorados, enquanto as passadas são impostas de forma rítmica e avassaladora, nossas roupas se enlameiam completamente, fato que é igualmente ignorado enquanto o olhar se prostra ao horizonte, ao objetivo, à sina de ser uma pessoa que leva à sério aquilo que faz, e que não se dá conta dos aspectos mesquinhos como o que chamariam de sujeiras os ignóbeis... Ao chegarmos numa lanchonete para recompor as forças com água, as primeiras palavras que escuto de um homem o qual penso ser o dono são: - Esta chuva estragou o dia.”
Seria possível relacionar este sobrescrito treinamento ao que julgamos ser um treinamento perfeito? Seria interessante compararmos a opinião do dono da lanchonete ao sentimento do corredor em relação ao tempo, pois este primeiro encontra um clima desgraçado, enquanto que o segundo vê todas as proporções da chuva como um desafio, que possui até certa graça de ser traspassado. A perfeição de um treino não encontra-se exclusivamente na velocidade ou no tempo que logrou o corredor, mas sim nos sentimentos que são expandidos de seu ser. Asseguro de que neste mesmo dia muitos outros corredores se desagradaram com o clima, enquanto que este corredor se divertiu com as poças de água, com a lama e com todas as travessuras que fez no treinos, tais como quase cair diversas vezes. Assim funciona o ser humano, alguns vêem um fato como horrível, enquanto que outros vêem o mesmo fato como algo de extraordinária beleza. Dito isto está visto que o treinamento perfeito é aquele que traz maiores alegrias, não quero porém me restringir a dizer que a corrida funciona simplesmente como uma máquina anti-estresse como muitos dizem, pois na verdade traspassa esta vulgar definição, sendo fonte de alegrias infindáveis. Veja que não há somente o lado positivo desta que retratamos aqui, como há escabrosos fatos relacionados à mesma, porém buscamos nesta parte do livro falar sobre os aspectos positivos. Por quê não poderíamos discutir sobre quais as máximas proporções positivas da corrida? Sabemos que as máximas proporções positivas incitam a perfeição, sendo que discutimos sobre perfeição logo buscaríamos o máximo de proveitos ligados ao benévolo. Há a ressalva de que a perfeição não pode ser atingida, porém é um dito bastante duvidoso já que não há um real conceito do quê entenderíamos como perfeição.
Pode-se dizer que é sinceramente perfeito o recorde mundial da distância da maratona, como também podemos considerar o treino supracitado como de caráter perfeccionista, porém tudo dependerá única e exclusivamente dos prismas que utilizamos para visualizar a perfeição. Vou aqui dizer que nossa última descrição tratou-se de um treino de grande alegria e meninice, que trouxe uma realização incomparável a nível de expansão mental ao corredor, e no que concerne ao recorde mundial diremos que o atleta também se realizara, porém diferentemente já que se trata de superação física, e possivelmente uma expansão à nível ideológico, mas nunca algo de grande alegria, já que trata-se de limítes físicos e mentais e por assim dizer: dor.
Dividimos então o treinamento perfeito em suas duas distintas características:
A – Treino de grande alegria
B – Treino de superação física.
Assim está dito que há dos tipos de perfeições a serem conquistadas pelo corredor, dependendo de seus enleios, veremos agora cada uma delas em separado...
A – Treino de grande alegria.
Tal como na descrição há muita seriedade neste treino, mas há um caráter de meninice, que provém do descompromisso com a velocidade ou com o tempo, e até com o fato de atravessar-se terrenos dos mais hostis. Veja como é incrível a constante indignação que o corredor têm com o fato de o dono de um estabelecimento crer que aquele dia estivesse horrendo, enquanto que sua opinião era totalmente diversa. Naquele dia de chuva certamente a corrida estava muito mais perfeita que se não estivesse chovendo, a chuva proporcionara certa aventura e que fora certamente sensação que de outra forma não poderia ser incitada. O ser humano se distanciou de sua própria naturalidade de forma espantosa, senão de uma forma tão horrenda quanto a forma que ele crê ser um temporal, há aversão a molhar-se, aversão ao barro às arranhaduras da mata à cair numa poça, o que por incrível que pareça tratam-se de fatores tão naturais quanto sua própria essência, e que acima de tudo trazem à ele a sensação agradável de bem estar. Tudo certamente proveio do contínuo e progressivo comodismo gerado pelo “desenvolvimento” da sociedade, desenvolvimento este que por outro ângulo, nada apreciável, pode ser chamado de decadência. Estamos inseridos num contexto de discussão bastante interessante, em que se confrontam duas vertentes da sociedade: os satisfeito comodistas que reclamam os fenômenos da natureza, e os insatisfeitos que reclamam dos “fenômeno da sociedade”. Não faço apologia ao primitivismo, porém creio que seja viável uma maior integração aos dois valores referidos. O treino de grande alegria o qual referimos está relacionado aos fatores naturalistas, ou de natureza propriamente dita, pode ser um treino de grande alegria que seja esta alegria causada por outros motivos, como está visto no Capítulo 16; Bom humor. Andemos agora ao outro tópico...
B – Treino de superação física.
Encontramos aqui a tão almejada perfeição, porém de forma divergente, nem melhor nem pior que a anteriormente explicada. A mais vangloriada e valorizada perfeição considerada pela sociedade. Talvez seja um grande erro apenas valorizar este tipo de perfeição, porém é decerto que é digna de grande consideração, já que ensina ao próprio ser humano quais seus poderes e capacidades, e o quão distantes estes se encontram distantes do auge, já que a perfeição propriamente dita é bastante difícil de ser atingida senão impossível. Vemos isto claramente na constante quebra de recordes durante competições das mais diversas, todos somos influenciados de grande maneira pelos motivos competitivos, é certo que estes causam grande euforia em nossas pessoas porém creio que está esquecida a brincadeira e os valores de alegria e graça da corrida vistos no tópico anterior, sem querer fugir do assunto direi que a capacidade física dos humanos é muito alta, tal como era a milhões de anos atrás, porém diminui cada vez mais ao invés de lamentar, acredito que a sucessiva quebra de recordes é uma falsa impressão, já que a sociedade encontra-se cada vez mais comodista e satisfeita com os prazeres supérfluos. Veja você mesmo que antes havia grande necessidade de movimentação física, tanto nas antigas guerras como na caça e na fuga dos predadores, cada vez mais, inseridos em nossa atualidade perde-se esta necessidade e nos tornaremos seres mórficos e estáticos, com tecnologia ultra avançada, não me pergunte leitor o que entendo eu pela designação mórficos, apenas deixarei isto à sua própria interpretação, pois creio que inserido no contexto de que falo traduzirá perfeitamente a algo consistente. Seriam estes últimos pensamentos bastante insípidos e até malévolos para com nossa sociedade, mas é real dizermos que vivemos num mundo em que os grandes problemas e doenças são relacionados com a inatividade física, tais como obesidade ou problemas cardíacos. Estes que poderiam ser perfeitamente evitados se todos portassem-se de maneira diversa no que concerne ao conceito de alegria ou prazeres. É prazer e alegria correr na lama? Cair nesta provoca prazer? Me pergunto leitores o seguinte: De quê adianta poucos seres humanos fazerem a maratona para baixo de três horas enquanto que a maior porcentagem da população sequer pratica atividade física? Seria muito mais condizente que todos praticassem atividade física de forma moderada que uns praticarem em excesso e outros nem saberem quê significa isso. Que esta crítica fique disposta para pensamentos posteriores por parte do leitor.
Eis que se me apresenta a oportunidade de divagar sobre a alegria num treino, também sobre superação física. Seria interessante de nossa parte relacionarmos estas duas vertentes do esporte: uma bastante descompromissada e a outra está situada no que se diz limiar das exigências. No intento de realizar a ligação existente entre uma e outra condição psíco-física-espacial estaremos relatando o que se vê a seguir:
“Treinamento às 2 horas da tarde, fora exatamente de 2.000 metros crawl de leve à moderado numa só tacada e com grande prazer, este oriundo duma força adicional que se me apoderou pelo fato de que à duas semanas iniciei com o trabalho adicional de musculação, este me proporcionou um maior controle de movimentos. Já às 8 horas da noite a segunda parte do treino, com euforia saí de casa já tendo ouvido músicas com alto teor de estímulo, chegando no local do treino, uma piscina coberta e aquecida, fora estipulado e organizado aquecimento, treino de tiros estilo pirâmide, e parte de fortalecimento fora da água. Estávamos em três assim o treino ficou, segundo meu modo de ver, bastante competitivo. Numa união fizemos o treino de tiros finalizando-o com uma vontade sobre normal. Bastante interessante foi o justo momento final em que todos cumprimentaram-se com clamores e vivas, abraços e cumprimentos, além de gritos ou grunhidos de vitória, o que pode haver parecido estranho à um espectador que não estivesse envolvido com o evento, este suposto espectador poderia até fazer um julgamento errôneo pensando um bando de peixes insanos estarem infestando uma piscina, porém a verdade fidedigna que se nos envolvia era a de que os esforços haviam sido justos e iguais entre todos, no momento em que nadávamos havia harmonia entre as braçadas e o ritmo de modo que a velocidade impressa era sempre a mesma, quando você nada ao lado de outras pessoas sua visão se prostra à vários ângulos e detalhes como por exemplo o rosto do nadador que está ao seu lado, é possível que você veja como estão sendo executadas suas braçadas com o intuito de saber se ele finaliza bem o movimento, com isso você pode concluir perfeitamente se ele está ou não cansado e por conseguinte comparar-se à ele nos aspectos de desgaste físico, isto é supostamente o que eu fazia naquele momento tanto para com o nadador que se encontrava à direita como o da esquerda. Numa irônica e desgraçada faceta por um certo momento ocorreu que eu tendo ficado pouco mais para trás encontrei-me na medida das pernas destes outros dois nadadores, estas que se movimentavam freneticamente num movimento cadenciado ântero-posterior provocando com isso ondulações. É à estas ondulações que devo o aspecto ironicamente terrificante deste caso já que embebi-me por três vezes consecutivas água, ficando consternado com o acontecimento irrevogável decidi aumentar o ritmo e não volver mais atras para que tal acontecimento não sucedesse mais. Em nós havia forte sentimento de união principalmente ao final do treino pirâmide, que como dito parecíamos velhos amigos numa reunião após cerca de dez anos de confinamento. Após estas comemorações adjacentes prosseguimos o treino com o fortalecimento fora d’água com variações de corda, abdominais e flexões dois minutos em cada estágio adicionado de exercícios isométricos, com isso finalizara-se-me o segundo treino do dia, tendo com euforia executado este segundo.”
Quê podemos abordar com a descrição anteriormente proferida? Há certamente um atleta que treinou duas vezes ao dia, não que hajam sido treinos extenuantes, mas sim devemos considerar que foram dois treinos de médio porte. O caráter de união do segundo treino é bastante evidente, assim como a rivalidade existente entre os atletas. Vemos por conseguinte que a rivalidade coexiste à união. Pode parecer anormal pensar que sentimentos contraditórios existam num só tempo, porém no caso presente é totalmente aceitável já que esta trata-se da rivalidade benfazeja aos sentimentos, poder-se-ia dizer até que é ela mesma a responsável pela união. Bastante intrigante é dissertar sobre o sentido de união que há entre os seres humanos, são fatores completamente ideológicos os que fazem pensarmos que uma pessoa é amiga ou um desconhecido com o qual não podemos travar conversação, do contrário logo não haveriam laços de união entre os seres humanos, e seriamos por assim dizer individualistas. A amizade é um dos fatores que estão relacionados com o que se diz ser laços de união, a comunicação é o que faz com que este processo se desencadeie. Pessoas quietas e recatadas geralmente não possuem muitas comunicações, decorrente disto menos laços de amizade. Por outro lado temos aquelas que são extasiadamente comunicativas, a ponto de parecerem apresentadoras de um circo ou programa do tipo “show de calouros”. No que consta às pessoas quietas diremos que são mais pensativas, as outras falam de tudo e à todos, inclusive àquelas que não conhecem. Aos leitores ávidos por um sentido lógico ao discurso entabulado digo que não estamos fugindo do assunto deste capítulo, tudo dependerá exclusivamente do que considera-se por perfeição, já que a comunicação social traz grande satisfação espiritual ao ser humano, diz-se por conseguinte que não seria tão só a perfeição o suposto melhor tempo ou uma quebra de recorde mas sim uma alegria provinda da comunicação entre as pessoas, que num nível mais superior que se pode chegar diria que chama-se amor, um sentimento tão digno quanto nobre entre as pessoas, e que vejo muito em falta na sociedade do dinheiro em que vivemos. Claro que este é um assunto de profunda seriedade, e tal que traz às nossas consciências muitas vezes uma culpa de grande peso por não sabermos lhe dar com os sentimentos mais profundos de nosso próprio ser. Volvemos entretanto ao caso do ser comunicativo e do outro quieto e cerrado como uma porta de ferro. Pois é assunto de igual importância tal como é o amor, também relacionado com este já que a comunicação é uma das maneiras de transmissão e demonstração de amor. Tendo eu, caríssimos leitores, ultimamente trabalhado neste campo que se diz musculação numa academia de médio porte à qual não vejo sequer necessário citar o nome, tive contato com uma realidade divergente e bastante apreciável justo por estas diferenças. Considerar-se-á que a humanidade é dividida entre seres de características psicológicas diferentes, e que os seres humanos estão dispostos de uma maneira que cada qual possui certa tendência a adequar-se em determinado esporte ou atividade diária, já que muitos sequer praticam atividades físicas, assim sendo é dito que a musculação é uma atividade na qual inserem-se pessoas de características psicológicas similares ou de personalidade semelhante. Não querendo em qualquer instância fugir do assunto principal direi o que noutro dia discutia brevemente com um colega do curso de Educação Física no qual estou inserido: dizia ele então que as pessoas que praticam triatlhon são individualistas, não somente por ser um esporte com estas características, mas também suas próprias nuanças mentais deveriam de ser assim. Pois está veementemente dito que somos divididos em grupos de características singularmente parecidas, isto tudo está claramente relacionado com o que anteriormente estava sendo discutido: a comunicação social, pois em cada um destes grupos esportivo irá haver por conseguinte um tipo específico de comunicação. Particularmente, talvez com aprovação dos leitores e com a discórdia dos críticos ferrenhos, creio que o futebol seja esporte violento no modo de se comunicar. Nossos ditames, finalmente chegam a decorrer à corrida, vemos com isso que é esporte individual, seria de certa forma condizente pensar que por este motivo não haveria comunicação, mas há sim, é comunicação corporal ou verbal, transmitida de forma mais sutil. Não perdendo o fio da meada vamos comedidamente discorrer sobre a comunicação social relacionando-a com a musculação, já que este é um tema que se me apresenta pertinentemente importante para que possamos extrair conclusões interessantes: Vejo que em específico nesta academia há uma divergência de personalidades dentro da mesma área, neste caso estaríamos numa situação ambígua e até contraditória às informações anteriores, no entanto são detalhes que não impedem de fazermos uma generalização já que há certamente uma grande maioria de pessoas com semelhantes feições mentais. São no geral pessoas fechadas, o que para min parece ser bastante estranho por não estar acostumado a conviver num ambiente social de tais facetas. Creio que as pessoas efetivamente respeitosas e comedidas são vistas como damas ou fidalgos o que até certo ponto é de grande respeito, mas nada disto é semelhante ao cúmulo de evitar-se um comprimento ou gesto de comunicação, viram os olhos como se fossem máquinas. Deserto que isto representa um exagero de taciturnidade ou falta de sentimentos para com o semelhante, decorrente uma falha psicológica que deveria ser trabalhada, se estou falando erroneamente nossa sociedade irá caminhar à uma trilha triste e apática. Estas considerações com relação à esta atividade foram feitas noutro dia pela respectiva professora de recreação da anterior faculdade citada na qual curso, veja a matéria à qual ministra aulas esta professora: recreação. Certamente a recreação é um espaço de muitas atividades descompromissadas e muito comunicativa, o contrário do caso infeliz que citei. Não quero em hipótese alguma desconsiderar esta tão benfazeja atividade que é a musculação, tanto que fazendo um labor dentro desta me vejo muito aprendendo e notando de grande importância, constato porém que é de devida justiça diferenciarmos comunicação nos respectivos esporte, estas contribuem para a melhor ou pior comunicação por conseguinte chegamos à perfeição social, que faz devida parte no que se refere à perfeição.
Os laços de união entre as pessoas são psicológicos, mas devidos à uma causa primordialmente física, como por exemplo: conheço um colega porquê ele também gosta de nadar e com isso conversamos sobre este assunto e sobre as ramificações da atividade. Assim dividimo-nos em diversas comunhões sociais, criadas pelos gostos que temos pelas atividades. Por isso está dito que a causa inicial é física, gosto de correr portanto encontrando outros que gostam da mesma coisa logo o conheço e trocamos idéias. Poder-se-ia dizer que a amizade não existe e sim os gostos ou causas físicas, a amizade é na verdade uma convenção ocasionalmente proveitosa que se faz. Entretanto no antro da alma humana, e dos sentidos racionais mais desenvolvidos do ser humano está o amor, este não poderíamos dizer que é falso ou imaginário mas sim uma verdade quase que incompreensível por seu sulco de grandiosidade. Como existe amor entre as pessoas se não existe amizade? Pode-se amar um desconhecido? Isto certamente diriam os grandes mestres religiosos, mas nós devemos chegar à uma conclusão lógica... É certo que o amor não é necessariamente lógico por não porvir do racional, assim não podemos discutir de forma lógica sobre ele. Não isto seria distorcer a lógica de nossos pensamentos. Muitos dizem que o amor é incondicional logo ama-se à tudo e à todos dependendo tão somente da capacidade de amar pessoal. Este tema é bastante apreciável quando o relacionamos com a solidão, ou com o caráter de individualidade do triatlhon ou da corrida o qual já fora citado anteriormente, não pode-se dizer que os maratonistas são pessoas menos comunicativas que atletas que têm função como parte de uma equipe, há de se ressaltar que existem equipes de corredores, estes corredores atuam em equipe até durante em provas em que dividem um integrante de cada vez para “puxar o ritmo”: Não seria isto por exemplo trabalhar em equipe? Estas últimas considerações são bastante visíveis no ciclismo, talvez pela questão de que o vento é mais forte, e que por isto faz uma maior diferença no atleta que comanda o ritmo desgastando-o mais que os outros, e por isso é necessário uma atuação em equipe. Este assunto de atuar ou não em equipe é bastante volátil já que vemos muitos jogadores de futebol sendo chamados de individualistas, sendo chamados de forma vulgar de “fominhas” ironicamente têm-se a impressão de que estes irão deglutir vorazmente a bola, sendo esta colocação poética isto não ocorre, mas sim que não trabalham em equipe, representa-nos como magnífico enigma perguntarmo-nos se este seria um melhor corredor ou nadador, já que ultimamente temos sabido que os atletas de esportes “individuais” podem com perfeição trabalhar em equipe.
Para se trabalhar em equipe deve haver comunicação tal como fora preestabelecido na descrição que se iria fazer o treino específico da “pirâmide”, assim chega-se à sublimidade de fazer-se um treino em grupo, o que se mostra bastante diferente dum treino solitário, em quê como será visto futuramente há também comunicação leitores, para que fiquem pasmados.

14.5.09

CAP. 4- NERVOSISMO ANTECEDENTE ÀS COMPETIÇÕES

CAP. 4- NERVOSISMO ANTECEDENTE ÀS COMPETIÇÕES
O corredor vaga no vazio.
É natural que antecedentemente às um evento o atleta sinta-se em estado de excitação, bastante apreensivo, pois este fica pensando no que pode ou não ocorrer durante a prova. O melhor nos momentos que antecedem a prova seria ouvir uma musica da qual o atleta gosta e lhe traz tranqüilidade, fazer algo como uma meditação e procurar não ficar pensando muito no que irá acontecer. Existem técnicas específicas de visualização mental do que irá ocorrer, o que é bastante importante para desenvolver diversos aspectos no atleta como por exemplo: nível de concentração, execução técnica, execução estratégica, indiferença para com os adversários. Agora citaremos respectivamente cada um dos tópicos do que se diz VISUALIZAÇÃO MENTAL, com as respectivas explicações. Veja a seguir:
A – Nível de concentração.
É importante que o corredor tenha antes da prova alguns ou um momento de silêncio interno, que não significa que externamente o mundo esteja em silêncio, mas que ele esteja em um momento interno, para que ocorra isso primeiramente deve-se estar em um posicionamento relaxado, seja deitado fazendo alongamento ou sentado, O relaxamento é um artifício utilizado para facilitar na concentração. Já concentrado, voltando a mente para os próprios pensamentos o atleta deve pensar em algo que tenha sido importante para que ele estivesse ali onde está naquele momento ( Por favor leitores, não é necessário pensar no ônibus que foi pego para condução ), pensando em seus treinamentos e nas pessoas que o ajudaram para que os treinos fossem adequados, pensar nas palavras de estimulo que a ele foram ditas ( Que seja somente um grito ou coisa parecida ), e pensar principalmente nos sentimentos que estava ele tendo enquanto treinava, se é ele um atleta religioso este seria um momento adequado para realizar uma prece. A concentração de que estamos tratando é de suma importância para que o corredor não desvie seus pensamentos e atitudes mentais para assuntos sem importância, que poderiam ser até negativos e assim interferir de forma ruim em seu desempenho. Pode-se também tentar neste momento não pensar em nada, o que é bastante difícil, mas com o treino se pode conseguir algo. Evidentemente estamos falando de concentração mental, o que poderia ser representado por concentração corporal é o próprio aquecimento, assim, com esta analogia pode-se dizer que a concentração funciona como um aquecimento mental, que irá preparar a mente para a atividade que irá ser executada futuramente, notem leitores que esta concentração não é somente da mente para com o corpo, mas também da mente para com a mente, justo por isto diz-se “aquecimento mental”, claro que trata-se de um aforismo representativo este nome. A concentração pois prepara a mente para que esta esteja apta para o que dela será requisitado durante a prova. O quê será necessário no que concerne aos fenômenos mentais? Diversas coisas, sempre dizemos que numa competição há de se ter muita força de vontade, analisando esta última frase poder-se-ia fazer interessante comparação, tão somente analisando o nome: “força de vontade” , sendo uma força logo devemos relacionar que existem diversas intensidades de força, pouca ou muita, quanto maior a força de vontade maior a resistência da mente perante os empecilhos. Lembremos, para que fique mais fácil, que existe o que chamamos de “força muscular”, esta, do mesmo modo que a outra é desenvolvida através de exercícios, já comentei os exercícios mentais de curto prazo que devem anteceder uma determinada prova, ocorre que existem os exercícios de longo prazo, estes são os mais efetivos pois constróem vagarosamente uma consistente força mental.
Imaginem leitores, uma pessoa que com incisiva constância têm o hábito de concentrar-se num quarto escuro colocando música de características místicas ou tranqüilas, se concentra nos sons, pode-se até colocar uma vela para visualiza-la fazendo com que haja o fator de concentração visual. Será que este hábito estaria de alguma maneira influindo em sua capacidade de concentração a ponto de desenvolve-la à patamares mais altos e resplandecentes? É de se pensar com bastante bom senso sobre este assunto, a concentração é uma característica bastante importante numa prova: deve-se concentrar o olhar ao horizonte, deve-se concentrar na cadência da respiração, no movimento alternado e cíclico das pernas e sobretudo num aspecto ao qual quero dar a devida importância, pois vejam que a concentração nos casos anteriormente referidos são de mente para corpo, o que recalcitro é a concentração mente para com a mente. Concentrar-se na própria concentração, isto seria em resumo a concentração de mente para mente. Os pensamentos devem ser organizados, para isto deve haver dispêndio de pensamento neste sentido. Há de se concentrar no nível de vontade, ou força de vontade, para sublinhá-la de modo a reforçar sua atuação, para isso se requer concentração. Vejam então que a concentração é voltada para com o corpo físico e para com o corpo mental, não há somente um objetivo na concentração mais variados, sempre levando em consideração estas duas vertentes principais. A concentração é por si um fenômeno mental, parte da mente e chega a alcançar o corpo, já que o sistema nervoso é quem comanda os movimentos. Organizar tudo de forma integral é bastante complicado já que existem variados fatores implicados na concentração, é constatado porém que a pessoa tendo o costume de praticar separadamente exercícios mentais de concentração desenvolve sua capacidade de tal modo que durante a concentração de curto prazo irá tirar mais proveito da mesma, a ponto de se concentrar mais facilmente com mais expansão.
Qual seria entretanto o conceito de concentração? É viável incitar-se aqui esta questão, já que sendo uma palavra maleável está suscetível à distintas definições, diferentes significados por assim dizer. O que estou, digníssimo leitor, propondo aqui é devanearmos sobre o conceito de concentração, não de maneira sistemática ( modo que veementemente o leitor não encontrará neste compêndio. ) mas sim de maneira exploratória, intuitiva, construtiva e até artística, dando margem à um vagar criativo, para assim contribuirmos para a verdadeira consciência filosófica, e não tão somente absorver soluções e receitas prontas, não que estas não tenham seu valor e alto teor de veracidade. Tendo eu de maneira dispersiva me delongado em explanações à respeito da liberdade que encontrar-se-á no desenvolvimento dos textos torno a perguntar ao senhor: Quê é concentração? Concentração é o silêncio do pensamento, pensar em nada, o que respectivamente pode ser adquirido através da atenção que é pensar ou focalizar-se em alguma coisa. Estar em um quarto escuro com uma vela acesa, olhar fixamente a vela estando sentado numa postura ereta e confortável é uma maneira de meditar, prestar atenção na vela, e adquirir concentração para expandir a mente à outros estados de consciência. Esta é a meditação.
Meditação, atenção e concentração são fenômenos que se intermedeiam para a expansão da consciência. Particularmente julgo que seja pouco precipitado discutirmos aqui sobre um tema deveras delicado, pois este envolve um fundo filosófico e ideológico bastante espesso. Na Yoga por exemplo é citado que existem diversos níveis de consciência, o que traz à tona a questão da realidade, pois consciência é a percepção que temos do mundo ao nosso redor, se por um acaso esta percepção muda: Quê quer dizer? Quer dizer que não conhecemos o mundo como um todo, e somente parte dele já que temos apenas uma janela aberta, digamos então que a consciência seja representada por muitas janelas de uma casa, se somente há uma aberta não veremos quê paisagens mais poderão coexistir no mundo.
Concentração, no entanto, é o revés de meditação, pois incita um pensamento fixo, uma idéia constante, atenção voltada à um só foco. A meditação é o devaneio que permite o surgimento de qualquer idéia na mente, e os já citados níveis de consciência, é no entanto correto dizer que a meditação ajuda na concentração, já que o processo de concentração, numa primeira fase está relacionado com ela. Vejam agora a seguinte descrição de um processo específico de meditação:
“Estava sentado confortavelmente numa cadeira, escutando música new age, com curiosos e distintos sons, procurei concentrar meus pensamentos em uma seqüência específica, repetitiva e cadenciada de maneira que se assemelhava à um mantran oriental, entremeando algumas preces. Com o objetivo de equilibrar minha mente, meu corpo e definir de maneira mais organizada necessidades, deveres e vivências, sem no entanto dissertar sobre estes últimos, somente intentar de uma maneira silenciar os pensamentos e prestar atenção na música, na escuridão e em minha própria imagem que se delineava em meio à pouca luminosidade do ambiente. Aos poucos senti a fluência de estranha energia do topo da cabeça, energia esta que perpassou por meu corpo até chegar aos pés. Após uma hora sentado, imóvel e totalmente relaxado, entretanto totalmente atento à imagem refletida notei que havia perdido completamente o senso de distância, era como se não existisse mais qualquer distância entre min e a imagem refletida, uma sensação bastante estranha, diferente. A cada passagem da música novas energias se adentravam pelo topo de minha cabeça, por momentos tudo se obscurecia à volta, logo tornava à clarear. Dentro daquela inconstância de tempo e espaço a visão começou a ficar não mais reta e direcionada, mas começou a tremer e direcionar-se oblicuamente, como se eu estivesse virando meu corpo de lado.”


B - Execução técnica.
Após os momentos de concentração é necessário utilizarmos nossas imaginações ao nosso benefício, aqui é importante citar a importância das funções mentais para com o movimento corporal. De imprescindível importância para o êxito desta técnica de concentração é treinar a imaginação. Como poderíamos treinar nossa imaginação? Simplesmente lendo livros, geralmente os livros ideológicos como este que você têm em mãos são os piores tipos para esta empreita. Os melhores seriam aqueles que possuem contos e histórias, mais conhecidos como romances. Sabemos então que o treinamento da imaginação é essencial ao desenvolvimento da mesma, e com isso podemos nos imaginar melhor durante o período antecedente à uma competição. Há vários detalhes a serem imaginados neste momento de pura concentração, e um deles é justamente o tópico de execução técnica. Execução técnica consiste em uma serie de movimentos que devem ser assumidos durante as corrida ou durante determinada prova, movimentos estes que serão imaginados conforme o desenvolvimento da pessoa que irá competir, e conforme seu nível de instrução técnica. É verdade que cada pessoa corre de maneira específica, evidentemente como em tudo na vida não somos completamente iguais, mas, a pesar deste fato ser verdadeiro, ocorre que há determinadas posturas que nos ajudam a correr da maneira correta, alguns exemplos são: olhar para a linha o horizonte, movimento de braços, pisada em três fases: respectivamente calcanhar, planta e ponta dos pés, elevação dos joelhos no sentido da linha crânio caudal ou longitudinal, elevação posterior dos pés e seu ataque à frente. Estes entre outros detalhes são atitudes que devem constar em nossos conhecimentos e, para o melhor uso destas técnicas nos momentos antecedentes estaremos pensando e visualizando elas. É uma imagem corporal que se configura no campo do pensamento, o vasto e desconhecido cérebro, que é respectivamente a área do corpo humano mais oculta ao próprio dono desta máquina, parece uma paródia de caráter humorístico quando dizemos que nascemos sem livros instrutivos. Com isso somos levados a descobrir através de estudos tudo aquilo que é relativo à nós mesmos, dentre estas descobertas está a da influência das capacidades mentais para com o movimento físico. Este tipo de visualização faz com que o cérebro esteja mais ciente do que está ocorrendo com o corpo neste momento, pois deve ser feita principalmente durante o ato da corrida, mas pode também ser feita antes. É se possível correr pensando num problema de características exorbitantes referente ao trabalho, é de grande alacridade achar que este preocupado e cismado corredor vá correr melhor que o outro que está pensando e imaginando seus movimentos, pode ele até Ter uma crise de ataque nervoso com seus problemas e garranchos mentais. É de fato assunto discutível, pois determinado dia ouvi as palavras de um maratonista de elite que diziam que quando corria pensava em seu ritmo, passadas, dores e velocidade, notem que ele se concentrava, para nossa surpresa, até nas dores. Naquele momento parei a reconceituar qual era a real atitude mental de um corredor durante uma prova, pois imaginava que quanto mais volátil fossem os pensamentos de um corredor na prova melhor ele correria. Fato que se me apresentou err6oneo no momento em que ouvi aquelas palavras da boca de um corredor de elite, sua imaginação e pensamentos eram única e exclusivamente voltadas para aquele momento e para o que ocorria em tempo hábil, de forma conclusiva não meneava os pensamentos para o passado lembrando-se de fatos antigos ou ficasse pensando em coisas extrínsecas como um prato de comida chinesa, numa cama ou numa piscina. Sua mente tinha uma capacidade espetacular de concentração, o que não ocorre com muitos maratonistas, o que representa o mesmo fator de uma situação contraditória. É dito que o corredor de longas distâncias fica muito tempo executando movimentos cíclicos ou repetitivos, estes apresentam grande monotonia causando um grande vazio, na grande maioria das vezes corre-se sozinho, sem qualquer espectador ou outra coisa que venha incomodar, numa conclusão séria e pensativa diríamos que o corredor perscruta o vazio. O que é ponderação interessante, o vazio é a ausência de tudo o que é variado, relacionamos o monótono com o vazio, o monótono por certo existe, é repetitivo e cíclico como já dito. Por causa destas características a mente de um corredor é incitada a não se preocupar com fatos extrínsecos mas sim os internos, por isto diremos que ela volta-se para ela mesmo. Quê é a mente senão o pensamento? É o corredor levado a pensar, e consequentemente deve pensar em algo, pode ser desde seu corpo até a problemática existencial, o quê nenhum atleta de esportes de grupo poderia fazer já que não há solidão e monotonia ou vazio exterior em seus treinos. Há grande contraposição por parte do maratonista de elite anteriormente citado quando diz que se concentra tão somente em aspectos corporais, pois este outro em seu treino é levado à filosofar ou imergir em seu “mundo interior”. Qual seria o mais próximo à realidade? Os dois são possíveis? É contestável dizer que esportes cíclicos, solitários de longas distâncias incitam os processos mentais à trabalharem de maneira diversa?
C - Execução estratégica.
De grande importância nas corridas de fundo, sempre dizemos que o maratonista experiente é aquele que se desempenha melhor. Isto é devido ao fato de que ele têm uma boa estratégia e sabe exatamente qual o ritmo a ser adotado nos momentos pré-determinados. Assim sendo devemos também nestes momentos de concentração imaginar o quê será feito em cada quilômetro da maratona, tudo levando em consideração o que foi feito durante os treinamentos. Neste caso não basta apenas saber o que farei no Km. 21 por exemplo, devo imaginar, e para imaginar estas situações deve-se ser realista, sei que não tive bom desempenho nos treinos, igualmente minha imaginação deverá acompanhar a realidade que me segue. Os detalhes estratégicos de aumento de velocidade são imprescindíveis. Pode-se fazer isso vendo-me como se estivesse em um helicóptero, vendo todo o percurso de uma altura considerável, imaginando o que foi passado e o que falta, os torcedores gritando e incentivando, ou mesmo imaginar de perto: como se eu estivesse atrás de min mesmo, imaginando a força despendida, a sede, a dor e os adversários e finalmente a chegada triunfante. Saibam porém diferenciar imaginação de concentração, é bastante lógico que para que eu imagine de uma forma condizente aquilo que quero devo me concentrar, porém a concentração é cabível como já visto à diversos fatores. Concentrar por si só não implica em imaginar. Quero ressaltar que esta é a imaginação do que será feito, claro que é executada com antecedência, é possível que este exercício seja feito também, com o intuito de melhor otimiza-lo, durante os treinos que antecedem a prova. Com esta imaginação há melhor organização seqüencial dos fenômenos ocorridos durante a prova.
É sempre dito que em quaisquer tipos de prova de fundo, seja de bicicleta, natação ou corrida é primordial dar maior ênfase à estratégia. Consta como sendo impressionante o fato de que atletas com melhores treinamentos não vencem porque outros com piores treinos utilizaram-se de melhor estratégia. Noutro dia, enquanto conversava com um colega, falou-me o mesmo enquanto referia-se a provas de ciclismo que a competição é como “um jogo de xadrez” trocadilho bastante apreciável quando constatamos que um jogo de xadrez é inteiramente relacionado às características mentais, como se não bastasse é um jogo extremamente complexo, e que valoriza exclusivamente os dotes estratégicos do jogador.
D - Indiferença para com os adversários.
Quando falamos em esporte devemos ter a consciência de que uma de suas funções é de sociabilização, integração e confraternização entre os participantes. A idéia de indiferença para com os adversários quer dizer necessariamente uma desvalorização dos mesmos, algo que dizemos a nós mesmos: - Eu sou o melhor! – Este fulano aí não me pegará! Assim sendo é um excesso de autoconfiança que devemos ter em nós mesmos, sabendo que treinamos arduamente para a competição não podemos ficar olhando sequer nos olhos dos adversários. É algo que vai contra as idéias citadas anteriormente em relação ao sentido social positivo do esporte, mas é isso que nos torna confiantes e acaba simplesmente com a moral dos adversários. Isto é na verdade uma idéia, é bastante sentimental e por isso não é algo para ser imaginado, mas que traz incrível vontade de vencer, pode-se imaginar passando por todos com grande velocidade ou algo que nos traga excelente confiança. [ Observação adjacente: No decorrer deste livro há diversas referências para com este aspecto da corrida, por si só a indiferença para com os adversários pode, eu disse pode portanto isto implica numa possibilidade casual, desmoralizar o adversário a ponto de diminuir seu desempenho psicológico e físico. Pode ser chamado de “frieza”, muitos atletas utilizam este recurso mesmo que de forma inconsciente. Interessante seria ressaltarmos que o próprio fato de se utilizar óculos escuros ou espelhados é uma maneira de se mostrar indiferente, já que assim se está ocultando a parte de expressão sentimental do corpo. Pode até ser recebido por parte de outros atletas como uma espécie de injúria, pois por certo é uma fatal desconsideração, por isto foge aos valores de integração e respeitabilidade condescende. O motivo de que este procedimento circunstancial está envolvido numa hipótese não segura é de que existem defesas para com este maléfico artifício, a defesa implica na utilização do mesmo recurso, o que irá predominar certamente será aquele que possuir maior força mental. Falamos aqui duma competição tão acirrada quanto a física: a mental. A lei é tal como era a lei do Egito antigo: “Olho por olho, dente por dente” uma conjectura bastante condizente com o assunto que tratamos, e repito de forma insistente aos leitores desprevenidos: há numerosas citações para com este procedimento, que num certo contexto pode ser considerado vil, e noutro excelente. Aqui termina-se este largo colchetes. ]
Estes procedimentos são excelentes para trazer uma boa performance, mas nem sempre funcionarão, pois a pessoa deve estar treinada a fazer isso, não é de imediato que se consegue adquirir tamanha gama de processos mentais. Fato real é que a atitude mental que adotamos antes e durante uma prova influem não somente em nossos corpos como também na mente e consequentemente nos corpos ( Desempenho ) dos adversários. É tudo bastante relativo, pois quando estamos correndo e tomando como base idéias mentais totalmente positivas, às vezes fingindo estar bem condicionados e fazendo uma ultrapassagem fantástica influímos nos pensamentos da pessoa ultrapassada, de maneira que esta venha a crer que está muito mal.

12.5.09

CAP. 5- O DESGOSTO DA LESÃO

CAP. 5- O DESGOSTO DA LESÃO
União com a natureza:
Correr através dos campos
Correr através de matas verdejantes
Leve sinto-me, numa contínua aventura
Correr com o corpo
Meu corpo é pleno em todos os movimentos
Sou parte de toda esta natureza
Correr com a alma
Pisar em barro, terra, galhos, folhas
Ultrapasso meus próprios limites
Estradas, trilhas e pistas
Me dão o prazer de uma linda paisagem
Gosto de correr
São pomposas as saudações que envio à todos que com esmero lêem este livro, não apenas por tão somente lerem com os olhos, mas também por sentirem e assimilarem com a mente e com o coração. São palavras agradáveis estas que são apresentadas no início destes pensamentos, justo porquê é bem-vindo o que é plausível, é plausível o que é bem-vindo e é bem-vindo o que é pensado. Faço um breve joguete de palavras para exprimir o quão grande é meu sentimento perante aquele que lê o que se escreveu, a leitura em seu contexto completo, e não ínfimo e mecânico como muitos o praticam.
A corrida é um grande livro que se deve fazer, quê é a vida senão o próprio livro este de que falo? Sendo a vida tal como a corrida um livro vivemos escrevendo, incessantemente as frases são feitas, algumas delas porém, devem ser corrigidas por não haverem ficado com a devida harmonia. Um corredor portanto pode fazer um treinamento inadequado e por isso haverá de retificar seus erros num período de tempo posterior.
Assim ocorre, vivemos fazendo coisas erradas tais como correr de maneira inadequada, posteriormente colheremos os frutos ou o que seja que tenha sido plantado. Pois se um treinamento ou mesmo alimentação é inadequada ocorre que mais tarde virão as conseqüências desagradáveis. O problema é que enquanto estamos fazendo uma corrida excessiva por exemplo, não nos apercebemos de que esta corrida está sendo desempenhada incorretamente, esta é justamente a função de um mestre, que ensinará o correto através da experiência adquirida por prática e/ou estudos. Sempre é interessante seguir os conselhos de um corredor que já passou por uma determinada situação, para que não sejam repetidos os mesmos erros.
Bastante curioso este capítulo haver começado com esta espécie de poema, fato que a pesar de curioso intenta demonstrar toda a gratidão que tenho para com a corrida. Há um dito que diz que tudo em excesso faz mal, e é realidade que se não praticamos determinados procedimentos para prevenir as lesões estaremos sujeitos a ter uma, não é um presságio, mas simplesmente a mais pura realidade. É necessário tomar muito cuidado com as lesões, e, praticando alongamentos, colocando compressas de gelo, utilizando calçados adequados e correndo da maneira mais correta nos locais adequados estaremos ajudando em muito a prevenir as lesões.
A corrida é fonte de inspiração, traz ao corpo e à mente grande harmonia quando bem executada, pois do contrário o desgosto e a tristeza serão companheiros inseparáveis, sem querer ser trágico, mas já sendo digo que quem corre de maneira errada não será uma pessoa plena. Tudo isso aprendi por experiência própria, quando me lesionei. Tendo que parar por meses de correr, o que me deixou constrangido por me obrigar a mudar alguns hábitos que tinha em minha vida ( correr especificadamente ).De certa forma a lesão me tornou uma pessoa triste não posso negar, aprender é a palavra que não constava em meu vocabulário, e correndo grandes metragens semanais passei a ser uma pessoa indiferente aos que não o faziam, mais ou menos me achando superior deste ponto de vista. Ser um atleta em recuperação me tornou uma pessoa mais tranqüila, parece que somente uma coisa destas poderia fazer com que eu parasse de correr desta maneira, chegando em casa às 11:30 da noite, após fazer treinamentos de natação e corrida. É lógico que o estado mental no que se refere à todos os seus detalhes de uma pessoa que pratica tanta atividade física semanal não é o mesmo que uma pessoa “normal”, os pensamentos parecem estar envolvidos por uma esfera de superioridade, e igualmente todas as relações sociais. É muito convincente chegarmos à esta conclusão já que correr uma média de 100Km por semana ou 120Km é algo bastante árduo e difícil, e as pessoas que realizam feitos difíceis devem ser pessoas não somente fisicamente preparadas, mas acima de tudo mentalmente fortes e muito concentradas em seus objetivos. Vontade é a palavra chave no que se refere aos maratonistas. De onde vêm tanta vontade? Seriam pessoas problemáticas? Falta algo ou há excesso no cérebro? Disse isto de maneira pouco atrativa, mas é algo interessante para se pensar: há uma porcentagem da população que se interessa em descobrir e experimentar os limites da capacidade física e mental do ser humano. Por quê fazem isso? É esta uma necessidade de todos os seres humanos? Qual seria a personalidade ou característica mental comum a todos os maratonistas ou corredores de longas distâncias? Haveria uma característica mental comum à todos?
Tudo isto está dito de maneira que venhamos a pensar que o que provoca as lesões não são tão somente as corridas praticadas de maneira incorreta mas principalmente as atitudes mentais relacionadas à corrida.
As lesões são sinais de que o corpo não agüentou os excessos da mente, ou poderíamos dizer que a força mental foi tão grande que o corpo desfaleceu. É sinal de que a força mental não tem tantos limites como possui o corpo, e que esta força não deve ser utilizada somente com o apoio dos sentimentos, mas principalmente com a ajuda do discernimento e da razão. Nisso tudo encontramos um tema muito interessante para debater, sem sombra de dúvida tanto o corpo quanto a mente possuem suas características peculiares, os corredores utilizam-se de forças mentais para efetuarem seus respectivos treinos. Quando a vontade é excessiva ocorre que o corpo não acompanha este desenvolvimento, de caráter mental, da forma devida. Foi dito que as características relacionadas ao pensamento não possuem limite, ao mesmo tempo que as mentais estão com seu limite estipulado. É uma idéia bastante condizente, já que o corpo é algo mais tangível ( por assim dizer: mais fácil de estudar ), é viável pensar que as lesões provém de um desequilíbrio do corpo para com a mente, pois o fato de um ser humano ter a capacidade de correr 200 quilômetros em uma competição diz certamente que quem o faz é uma pessoa de excessiva força mental, veja que outro corre apenas 100 e se lesiona enquanto que este primeiro não. Qual seria o motivo de tal fato? O desenvolvimento de forças mentais e corporais deve ser alinhado, contínuo e progressivo. Do contrário ocorre o desequilíbrio anteriormente citado. A indesejável lesão é incitada a partir do momento em que minha força mental é incomparavelmente maior que minhas capacidades físicas, assim descobriríamos que um do segredo do bom corredor seria reprimir a vontade de correr, o que muitas vezes é bastante dificultoso por tratar-se de um processo mental com o qual muitos sequer conhecem, e por isso não sabem dar-se com este tipo de situação. Para que o leitor não perca-se em devaneios citarei um exemplo de caráter prático: o corredor deve no início de um ano, visto de longo prazo, fazer o “treino de base”, entretanto este treino deve ser feito em velocidade devagar ou moderada, se sua força mental é demasiada ele irá querer aumentar a velocidade, e respectivamente lesionar-se-á devido ao fato de que seu corpo se encontra todavia débil à tamanha exigência mental. Por estes fatores devemos constantemente vigiar qual a atitude mental que tomamos nas corridas, comparando isso com nosso nível de treino.
O desconhecimento ou a ignorância são grandes inimigos, estes podem provocar uma lesão bastante desagradável, veja que às vezes podem tratar-se de coisas simples porém importantes, que num prazo prolongado mostram a face da verdade, se é assim uma maneira concreta de expressar-se. Pois o simples fato de se correr em asfalto ou grama pode ser fato preponderante no destino de um corredor, o problema específico que tratamos aqui é quando este não sabe se existe ou não diferença entre correr neste ou naquele tipo de terreno, a desinformação é portanto algo de caráter negativo, que pode causar danos ao desenformado.
Há também os informados insistentes, estes poderíamos classificar como “burros” no significado oculto desta palavra, já que estando eles sapientes de alguns erros que cometem, o fazem. Talvez por simples e sarcástico prazer, falta-lhes a consciência que abrange o maior prospecto da corrida: o futuro. Alguns detalhes são bastante incômodos, e através do tempo podem causar danos quase que, ou propriamente irreversíveis, outros destes detalhes podem ser mesquinhos, e também incômodos ao mesmo tempo, senão algumas vezes herdeiros de grande comicidade como veremos nos relatos das duas descrições que virão à seguir. Pode ocorrer de o leitor não os considerar como lesões propriamente ditas, como supostamente não os considera o autor, neste caso deveríamos aqui dividir todas estas maledicências e mal agouros em distintos grupamentos tais como:
A - Lesões propriamente ditas.
B - Fatos irrisórios, dignos de comicidade.
A – Lesões propriamente ditas.
Em termos gerais já abordamos sobre esta parte, sendo que trata-se de um desequilíbrio entre a força de vontade ou força mental e a força ou resistência física.
B – Fatos irrisórios dignos de comicidade.
Inserem-se aqui nossas sobrescritas descrições, não consideradas propriamente leões mas talvez como desgostos, porém se aprofundarmo-nos um pouco mais há de se ressaltar que uma lesão pode ser originada por divergentes fatores, e pode ser representada por diferentes fantasias. Não quero aqui ficar jogando com as palavras de forma desregrada, muito pelo contrário, explicar-me-ei: lesão seria tudo aquilo que é considerado malévolo, neste contexto um palavreado horrendo proferido à quaisquer pessoa é um tipo de lesão, podemos classificar isto como lesão mental, isso se este maldito palavreado afetar a pessoa à qual ele foi transmitido, pois cada pessoa possui um nível de receptividade diferente, podendo chegar ao nível de sequer dar importância ao fato, ou no lado oposto desta moeda a pessoa pode ver-se extremamente ofendida com o palavreado e chegar à tal estado de consternação que num ato de extrema excitação vir a pedir satisfações ou mesmo esbofetear a cara do originário negativo palavreado. Isso se deve ao fato de que cada pessoa reage e sente de maneira diferente às mesmas situações. Pode como vemos um mal educado facto originar diferentes reações, estas são as fantasias de que falei anteriormente. Inseridos neste contexto apresentarei duas descrições, estas que devem respectivamente sendo bastante esperadas por parte do leitor, já que à tempos estão sendo comentadas sem no entanto descritas. Aqui vão:
“Me preparei para correr num ato de grande organização, de forma metódica amarrei o tênis, arrumei o shorts, disc-man e cronômetro zerado. Após os alongamentos devidos iniciei a corrida de forma leve e solta num percurso entremeado na cidade já determinado, correndo pela cidade cheguei até uma praça específica, no trajeto pensei ser bastante interessante ir àquela praça pelo fato de que lá encontrar-me-ia com outros corredores. Chegando vi que realmente haviam outros correndo alegrei-me com isso, velocidade moderada pois faço o período de base, espero que consiga controlar bem a velocidade. Logo surge correndo ao redor da praça, tal como faço eu, um outro corredor, bastante conhecido por min, conheço-o de vista há tempos e sei que é bastante rápido, não me contento nesta velocidade e aumento bastante, na medida do possível é claro. Surge-me uma dor desagradável em um dos dedos do pé, neste momento pensei ser uma bolha ou algo semelhante, desvio meus pensamentos que somente por breves momentos ficaram atidos à esta dor. Minha atitude é de total indiferença para com quaisquer pessoas que estejam em meu trajeto. Ao terminar o treino, já em casa me deparo com uma horrenda visão digna certamente de receber críticas: a meia do pé em que me doía o dedo se encontra ensangüentada, constatei após algumas exclamações e espasmos mentais que a unha ficava raspando no dedo que se encontrava ao lado e assim se abriu uma ferida que sangrava continuamente. Parecia porém que a meia fora embebida em tintura, tamanha era a sorte de líquido sangüíneo que nela se incrustara.”
Quê concluímos nós desta descrição? Baseados nos preceitos deste capítulo diremos que o corredor tentou se manter numa velocidade moderada, pois sabia que se encontrava num treino de base, porém sentindo-se desafiado por um velho conhecido de vista aumentou consideravelmente a velocidade, erroneamente já que sua vontade está neste caso em estado superior ao seu corpo. Outro fator interessante é que este corredor precisa urgentemente cortar as unhas dos pés, para que não se machuque desta maneira, é ciente do que se há de fazer, e se não o faz é por lapsos de ignorância, se desconhecesse a causa de seu sofrimento tudo seria devido à falta de informação, porém conhece a causa e deve estripai-la. Provavelmente não seja esta uma descrição deveras cômica por haver muitas citações relacionadas à sangue e sofrimento, mas devemos nos certificar que é certamente um caso de detalhe. Há portanto algumas lesões que são originadas por detalhes ou nuanças que não nos apercebemos, e que causam situações desagradáveis. Gostaria de saber por parte do leitor se este considerará o caso seguinte como um detalhe ou uma impróspera e estratosférica tragédia...
“Mais um dia de corrida, aprontei-me rapidamente e me dirigi ao parque. Por curiosidade um dia de bastante chuva, certamente alguns corredores aventureiros lá se encontravam em seus atos prodigiosos senão até comunistas, se é que assim posso dizer pela grande força de suas persistências. Alongamentos à parte se iniciou o treino. Foi de grande surpresa quando notei que à medida que corria meu shorts caía, não posso dizer porém que fora este somente um fato surpreendente como também estapafúrdio ou infeliz. Após poucos quilômetros já me adaptara à nova situação, pois inventei neste meio tempo uma técnica apropriada para que o shorts não caísse por inteiro, esta consistia em manter uma das mão bastante perto do shorts já preparada para levantá-lo. Minha Segunda preocupação ( inventar esta artimanha fora a primeira ) se tratava de fazer isso de certa maneira que ninguém se apercebesse o que estava sendo feito, o que na realidade era bastante difícil por eu não ter mãos invisíveis. Sem temer outros transtornos prossegui o treino firme e forte, me arrependendo sinceramente pelo azar de ter pegado este shorts digno de comicidade da gaveta. Para meu alívio era um dia de bastante chuva, me sentia agraciado pelo fato das pessoas fugirem deste fenômeno climático, do contrário estaria eu numa cilada.”
Julgo que seja uma descrição bastante interessante do ponto de vista técnico, já que tratamos aqui de lesão, ou mesmo lesões desgostosas, assim podemos constatar com grande facilidade que esta tratar-se-ia de uma lesão moral, já que o corredor sentiu-se malogrado com a situação em que se encontrava, pois tinha bastante receio de que outras pessoas se apercebessem de sua inusitada situação, e se aproveitassem disto para caçoar de sua pessoa. Com grande sorte isto não ocorreu, a chuva lhe salvou por assim dizer, notamos com bastante discernimento nesta altura de nossas dissertações que há lesões tanto morais quanto físicas, no último caso não ocorreu uma lesão propriamente dita, mas somente o receio de que uma pudesse a vir à tona, e ainda assim dependeria da receptividade do corredor como já visto anteriormente. Pode haver o fato de uma lesão física ser acompanhada por moral, como considero eu numa ocorrência que veremos a seguir:
“Estava lá eu meado numa competição, o objetivo era completar num ritmo moderado, já que estava ciente de minhas condições, que não eram as melhores por falta de treino. Tinha bastante persistência, quase ao final dos 15.000 metros aproximou-se de min um rapazote bastante baixo e gordo, que me disse algo de extrema baixeza e num ato jogou-me água, fiquei com isto extremamente indignado, e respondi-lhe à altura, continuando minha corrida, porém já tendo perdido com isso toda a concentração e estando certamente me sentindo mal com isso.”
Podemos ver com tudo isto que fora explanado que houve neste caso dois tipos de agressão por parte de um baixote gorducho, que num ato refutável de total imprudência fizera tudo isto o que não vejo necessidade de repetir, ocorreu que o corredor respondeu-lhe à altura, tratou-se certamente duma lesão mental ou moral e a partir do momento em que a água lhe fora mau vinda uma lesão física, assim está dito lesão mental e física. Para que cheguemos à uma conclusão útil neste caso, que na realidade não é nem um pouco cômico devemos perguntar quais deveriam ser os procedimentos do corredor. Creio que no Capítulo 4 na parte de Indiferença para com os adversários encontramos a resposta, iríamos utilizar o que poderia ser chamado de indiferença para com a platéia, ou para com os infames para ser mais específico. O atleta é por assim dizer indiferente para com tudo e para com todos, não se envolve psicologicamente com nada que está ao seu redor, uma pessoa fria e meticulosa, privada de sentimentos, assim seria o atleta ideal para se esquivar destes tipos de acontecimentos. Pode parecer bastante estranho, mas esta é uma solução bastante apreciável.

11.5.09

CAP. 6- O GRANDE PROBLEMA DO DIA A DIA

CAP. 6- O GRANDE PROBLEMA DO DIA A DIA
Em quê consiste o seu aporte de atividades diárias? O quê você faz? Qual é o benefício ou ganhos que você consegue com as coisas que faz? São positivos estes ganhos, ou negativos?
Começando este capítulo com esta série de perguntas quero trazer uma série de temas que muitas vezes não paramos sequer para refletir, que são na verdade as coisas mais importantes de nossas vidas: o que estamos fazendo delas. Não trata-se de um interrogatório inquisitivo. É interessante notar como muitas vezes fazemos algo que achamos fazer bem e na verdade faz mal, ou em outras vezes ocorre de sabermos que determinada coisa faz mal, mas o fazemos pelo prazer que isso nos proporciona. Pagamos o preço do prazer por assim dizer, exemplos clássicos seriam as drogas como bebidas, cigarros, ópio entre outras diversas. Ocorre da mesma maneira na corrida, pois há corredores impertinentemente insistentes que, enquanto podem estão correndo, mesmo sabendo que a corrida está provocando um mal ao seu corpo, este é um erro muitas vezes cometidos, já que no caso referido há prazer em correr, e o prazer é tão grande que chega a superar a dor que provém do treino. São por assim dizer dois lados opostos: o positivo e o negativo. Isto tudo são as causas de micro-fraturas ou tendinite, e um médico ou treinador assim diz: - Você teve este problema porquê correu muito em asfalto – Não, não meus amigos leitores, eu diria sim que o problema em si não proveio do fato de correr-se muito em asfalto, mas sim da excessiva vontade de correr, vontade esta que é vinda do prazer de correr, poderíamos comparar como uma overdose de drogas, este é o dito overtrainning, que causa o desgaste excessivo de articulações, músculos e ossos. Muitas vezes portanto, quando pensamos adquirir ganhos positivos com a atividade física nos ocorre o revés, ou seja, malefícios dos mais diversos se apoderam de nosso ser. Por isso diz-se que um atleta nem sempre é sinônimo de saúde, pois este visa primordialmente a vitória, e pouco se importa com conseqüências posteriores. O típico exemplo que retrata isto de que falo aqui é o fato de muitos atletas de diversos esportes se aposentarem em decorrência de uma grave lesão adquirida por motivos diversos, mas que seguramente não viriam a aparecer se estes não se preocupassem única e exclusivamente com o caráter competitivo da atividade físico. Preste muita atenção ao nível de atividades físicas que você pratica, não a curto prazo, mas sim a longo prazo, pois no decorrer dos anos construímos ou destruímos nossos corpos. Comparo aqui à uma casa, que precisa ser acrescentada em detalhes, muitos, ao invés de se preocuparem com estas nuanças chamam a demolidora e acabam de uma vez por todas com a edificação. Assim vemos que a casa de nosso corpo deve ser constantemente valorizada com bastante presteza. De quê forma? Simples e fácil: tomando os devidos cuidados, e não caindo na influência enganosa da sociedade competitiva, veja como: alongue-se da forma devida e não sobrecarregue-se.
Direi que fomos envolvidos por este tema de uma maneira bastante simplista, porém não lubridiados, pois muitas vezes a simplicidade é a base de um proceder correto e aceitável, quero colocar que no que concerne aos preceitos estabelecidos pelas nossas metas deve-se Ter bom senso e discernimento para fazer o certo no momento certo.

10.5.09

CAP. 7- OS SONHOS TÃO ALMEJADOS

CAP. 7- OS SONHOS TÃO ALMEJADOS
Quem nunca chegou a falar que seu sonho era completar uma maratona? Ou então ouvir alguém dizer isso? Quando dizemos assim a palavra sonho está colocada de uma forma a querer dizer desejo ou vontade, na verdade eu quero completar uma maratona, mas como é algo ainda um pouco distante de minha realidade eu digo que tenho o sonho de completar a maratona. Por quê a idéia de sonho está relacionada a algo que está distante? A resposta a esta pergunta está justamente na análise que podemos fazer dos sonhos.
Os sonhos são sempre coisas que estão, ou parecem estar, distantes de nossa realidade, geralmente com temas extravagantes, exagerados e ficcionais. Por isso achamos que são histórias ridículas, que muitas vezes não fazem sentido. O grande problema é que sempre que analisamos um sonho utilizamos como ferramenta para este feito nossas razões, e a razão possuí algumas limitações que fazem com que não entendamos como funcionam os sonhos. O sonho seria neste caso uma expansão da razão, assim, quando estamos sonhando estaríamos entrando em nossa verdadeira consciência, o quê os psicólogos chamariam de sub-conciente. Nós mesmos somos o subconsciente, que se forma a partir de vontades e sentimentos que de certa forma não são visíveis à luz da razão. Este é o motivo que faz com que os sonhos pareçam ser tão estranhos e enigmáticos.
Se pudéssemos realmente entender o quê querem dizer os sonhos, poderíamos nos entender de maneira mais completa, e assim facilitar o entendimento de nossos sentimentos em relação ao mundo que nos cerca.
Já tive diversos sonhos em que estava correndo, e creio ser isso um fato comum aos corredores, são sonhos estranhos, mas que mostram como gosto de correr. Certa vez voltando de uma viagem que havia feito para disputar uma maratona sonhei que estava correndo em outra prova, é muito cansativo pensar que após correr 42Km 195mts. você vai dormir e inesperadamente sonha que continua correndo, fato que mostra como a realidade mental é bastante diferente da corporal, pois a mente suas vontades e pensares ainda estavam extremamente ligados à corrida, enquanto o corpo tentava se recompor.
Correr é portanto um processo acima de tudo mental. No intuito de expandir os conhecimentos acerca dos sonhos, iremos aqui procurar dividir este assunto em diversos tópicos, assim como são retratados:
A ) Mistério e desconhecido.
Chegada a broma anterior volvamos agora a discutir causas mais sérias, tal como o mistério que envolve o corredor. Quê seria este mistério? Proveniente do medo e do desconhecido é aquilo que chamamos de mistério. Particularmente tenho grande fascinação pelo mistério, mas, não só eu como a essência do ser humano possui algo de atração pelo mistério, É fato quer por ser desconhecido é algo que merece de nossa parte a maior precaução possível, pode tratar-se de algo hostil e perigoso. Quando crianças temos em geral medo do escuro, e não muito estranho ocorrer esta sensação quando adultos, pois acostumados ao berço da cidade, tememos algo no que se refere à escuridão solitária de uma selva inóspita. Alguns fatos que ocorrem em nossas vidas muitas vezes são dignos de serem relacionados com o que dizemos ser mistério ou situações estranhas, e muitas vezes estas ocorrências estão relacionadas com os sonhos. Na verdade durante os sonhos são colocadas todas as nossas sensações do dia a dia, porém é muito misterioso deparar-se com uma premonição em um sonho.
Vejam a seguir a seguinte descrição:
“Estava na cidade de Curitiba, região sul do Brasil, especificadamente na casa de um primo, nunca houvera corrido uma maratona antes. Era eu um garoto ainda, com meus 17 anos de idade, e estava realmente bastante excitado com a idéia de completar uma maratona. Havia também um certo nervosismo. Um dia antes da prova tive uma diarréia, e num momento achei que aquilo iria acabar com minha resistência física, mas do contrário, após fazer todas as necessidades saí muito mais leve, parecia inclusive haver passado um suposto estado febril juntamente com a diarréia, fato que julguei de suma importância para meu bem estar físico. Havia chegado a noite antecedente à prova, não constava com quaisquer experiências deste porte, dormi. Ao despertar no dia seguinte recordei-me claramente do sonho que houvera tido: ficava conversando em inglês não sei com quem, sonho que no momento julguei ser sem importância, já que não domino esta língua tampouco utilizo-a com freqüência. Finalmente a maratona, correr e correr, era um sonho que estava se realizando, foi de surpreendente cunho a constatação de que no quilômetro 30 havia um posto de frutas, me recordo com perfeição: eram gomos de tangerina, fiquei muito satisfeito com a reposição, esta que meu corpo há muito pedia, quedei-me impressionado com o fato de haver um estrangeiro que gritava em inglês palavras e frases de estímulo, no exato momento revidei os gritos com palavras proferidas no último volume que me era possível: - I am a runner – Every body is running to arrive! Acreditei ser aquele fato digno de conotação, acontecimento extraordinário”
Descrição bastante larga esta meu caro e bom leitor, que até parece retratar factos adicionais além de nossos interesses, porém o motivo de toda esta parlaria está relacionado justo aos nossos estudos, que ao mesmo tempo que requerem determinada especificidade não fogem à grande abrangência de outros possíveis assuntos de igual valia. Assim sendo, nosso objetivo inicial é discutir sobre o mistério que podem provocar os sonhos, ou mesmo as chamadas premonições, que assustam o homem enquanto ser humano por serem de pouca ocorrência, e consideradas como meras coincidências.
Na parte da diarréia peço que os leitores, além de terem tido a paciência de haver lido, tenham a resignação de esperar até chegarmos ao capítulo 8, tópico D, onde comentaremos algo relacionado às necessidades fisiológicas. Sendo assim este assunto estará enterrado por agora.
Retornando aos nossos dizeres anteriores, o mistério é o desconhecido. Há uma pergunta que parece querer se esconder de nossos olhos tal como se esconde o mistério: Pode o mistério ser conhecido? Nunca, esta seria a resposta mais cabível, pois se ocorrer de descobrirmos os mecanismos do mistério, este então não será mais mistério. A criança que se julga mais esperta acaba, de forma muito perspicaz descobrindo que o Papai Noel era uma representação de um personagem, porém no mesmo momento em que faz esta descoberta desaparece todo o mistério que estava envolto a figura deste personagem. Assim é tal como ocorre com a ciência, que descobrindo uma verdade passa a julgar que aquele fato que inicialmente parecia estranho é na verdade muito simples, lógico e às vezes não entendendo sua incompreensão anterior à acontecimento de tamanha simplicidade. Não se sabia exatamente o motivo de as coisas caírem para baixo, some te quando foi proposta a lei da gravidade por Isaac Newton ocorreu o que é chamado de explicação.
Pois, nós leigos não entendemos muitas questões, mas já é grande progresso construirmos tais perguntas, pois assim não ficamos jogados como baratas tontas, em que a natureza comanda os caminhos sem sequer que nós entendamos o que está acontecendo.
Muito provavelmente este assunto esteja ficando um pouco confuso, deveríamos então discutir de uma forma mais simplista e objetiva, pois então perguntem-se vocês caros leitores os motivos de uma premonição. Para quê serviria tal poder mental? Talvez adiantar-se no tempo seja uma verdadeira loucura, mas uma coisa posso Ter certeza, é acontecimento intrigante e bastante escasso, que na menor das hipóteses serviu-me para trazer uma alegria momentânea e um grande estímulo para continuar correndo.
Os sonhos são por certo uma expansão da consciência humana. Seriam eles a expansão ou o estado de vigília seria uma repreensão da consciência? Esta dualidade de idéias nos faz perceber e ter a seguridade de que há uma diferença entre estar acordado e sonhar, a premonição é um fenômeno que se insere no campo da parapsicologia e dá margem a interessantes divagares, tais como a concepção de tempo que foi definida pela humanidade. Somos, por via raciona, induzidos a pensar que mediante o fato de conceber-se o futuro antes que ele ocorra é um mistério, isto somente porque não conhecemos os mecanismos psíquicos que compões e arquitetam este processo. É deserto viável crer que o sonho sendo uma evasão da psique humana, durante à noite estaríamos muito suscetíveis à maiores níveis de consciência, entendendo esta consciência como uma realidade mais abrangente. Assim a mente se desfragmenta e não se restringe ao tempo presente.
Do contrário poderíamos nos basear na suposição e que não se tratou o caso supraescrito de premonição, mas sim de um contato ocorrido no presente, o suposto “inglês” já estaria durante à noite psiquicamente ligado, entretanto só demonstrou este contato no outro dia. Assim não seria previsão do futuro, mas sim uma maior sensibilidade à realidade.
E assim se passa com os corredores uma gama de sensações, pensamentos e sentimentos que em muito ultrapassa a mera corrida, atingindo patamares estratosféricos da psique. A consciência humana por certo é maior da que pensamos ser, e por mais inconcebível que possa parecer, disserta-se ainda sobre as concepções de tempo e espaço, e ao maratonista isto é o que mais interessa já que ele corre mediante estes dois princípios.
O tempo e o espaço não são importantes para a consciência, mas sim para os horários de chegar ao serviço, almoçar, jantar, ir ao cinema, jogar futebol ou iniciar um treino. Ironicamente à consciência profunda nada disto importa, não existe tempo à ela: Uma lembrança é o retorno no que decidimos conceber de tempo, a ansiedade é a ida ao futuro, sendo então o tempo maleável e suscetível às mudanças pela consciência ele não existe. É como dizer que um quadrado pode se transformar num círculo e logo num triângulo, logo ele não existe, ou pode existir se assim acharmos. Os sentimentos são o que definem a realidade, fico entusiasmado com a idéia de que um filme gravado à anos, ou um livro escrito à centenas de anos pode provocar prantos, lágrimas ou risos e gargalhadas. Isto simplesmente provaria a inexistência do tempo, ou de sua importância.
O espaço é flagrado sem importância quando diz-se que sonhou-se com uma realidade antes que esta ocorre-se, concebe-se assim que se minha consciência se aliou com outra sem que se precisasse viajar ou se deslocar fisicamente que não há importância no espaço, ou que este inexiste. As implicações destas concepções filosóficas trazem-nos concepções divergentes das quais nos adaptamos, e por isto causam grandes impactos em nossas acepções. Pode o corredor já sentir a psique de outros corredores que estão mais à frente? Uma lembrança durante a corrida pode lhe trazer mais ou menos forças? Para a mente não há importância de tempo ou espaço, mas para o corpo sim, acontece que enquanto se corre a mente pode estar deslocada à outras realidades, tempos ou lugares e isto por certo terá repercussão crucial no corpo.
Corremos atrás de sonhos durante toda a vida! Sempre queremos atingir metas, alcançar objetivos, isto é sonhar. Sonhamos durante toda a vida. O sonho é a formação prévia de uma idéia em nossas mentes, ou seja algo que vêm do futuro ao presente, particularmente achei bastante peculiar a idéia já proferida daquele que sonha completar uma maratona, o que é um feito relativamente difícil. É então uma futurização de seus pensamentos, a realidade já entrou no campo da consciência, e se ele já está “sonhando” para a consciência esta idéia já é uma realidade. O grande equivoco é que quando falamos na palavra “idéia” imaginamos como algo que está distante, algo surreal, abstrato, fantasioso, em suma: algo irreal. Acontece entretanto que as idéias são tão reais quanto são os pensamentos, são definidas pelo mecanismo da razão, e por certo para a consciência elas são as coisas mais fidedignas que possam existir, mais real que a realidade que nos cerca, justamente por isto cada pessoa vê o mundo de uma maneira diferente, os loucos acreditam tanto em suas idéias que esquecem-se do mundo “físico”. Quem disse que nós não somos iguais à eles? Confiamos piamente em nossas idéias ou a designamos como sonhos no intento de convencermos de que são coisas distantes?
Ninguém têm um sonho. A pessoa não deveria dizer: eu tenho tal sonho, mas sim eu sou este sonho. Já que é assim: Eu sou o sonho de correr uma maratona. Ou: Eu sou a idéia de correr. Entramos supostamente no campo das idéias de Buda, que disse que os seres são o que pensam. Mediante esta linha de raciocínio proponho uma pergunta: Somos a consciência ou o corpo? Seria o corpo mero instrumento da consciência? Eu penso logo existo? Ou: Eu me movimento logo existo?
Nesta duvida existencial é possível tomar como base o movimento como a existência do ser, já que movimentando-se têm-se a percepção do corpo no espaço e do corpo para com o próprio corpo. Quê seria então do sonho? Uma alucinação e distorção da realidade?